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16/05/2011

Sorocaba - SP


Oficina Pedagógica
Número de horas: 8,0 horas
Empresa: Arte e Vivências
Facilitador: Administrador
Estado: SP
Cidade: Sorocaba
Secretaria de Ensino: Não Espeficicado
Educadores Relacionados: Nenhum Educador Relacionado
Instituições Relacionadas: Nenhuma Instituição Relacionada

Essa oficina foi realizada no dia 07 de outubro de 2010.

DESENVOLVIMENTO

1. Boas-vindas e apresentação:

A apresentação do Sr. João Paulo, do setor de Marketing da Jussara Laticínios, iniciou as atividades, explicando rapidamente as ações desta empresa. As boas-vindas foram feitas com a apresentação do vídeo institucional da Tetra Pak e com o preenchimento de crachás. Os kits foram distribuídos para todos logo no início das atividades, abertos e todos os materiais foram explicados. Vários professores conheciam o material e tivemos depoimento de alguns exemplos de utilização com os alunos.

2. A Relação com o lixo e análise do ciclo de vida

Solicitou-se que cada participante escrevesse em papeletas coloridas qual a sua relação com o lixo. As respostas foram colocadas em um painel, o qual todos foram convidados a ler. Foram comuns as mudanças de percepção em relação ao lixo, professores que antes da apresentação tinham uma associação do lixo com: nojo, impacto e preocupação, apresentaram após a oficina as seguintes ideias: riqueza, reeducação e consciência.

Notou-se que a tônica da mudança de percepção foi a ampliação do sentimento de mobilização e responsabilidade. Citados diversos fatores que dificultam a prática da coleta seletiva, como a não responsabilidade dos fabricantes sobre a recolha do material.

Neste momento, estudou-se o ciclo de vida dos materiais, sendo analisada cada etapa do processo. Para cada agente, decorreu-se sobre os desafios e soluções. Tal abordagem permitiu a ampliação do olhar e a contextualização de que alguns fabricantes se mobilizam e implementam normas e procedimentos, adotam tecnologias limpas para diminuir os impactos ambientais.

A caixinha longa vida foi tomada como exemplo e a atuação da Tetra Pak foi apresentada de forma bem suave, convidando os participantes a se sentirem presidentes da empresa, prefeitos do município, garis, cooperados. Em cada momento da análise de ciclo de vida, refletiu-se sobre as conquistas e os problemas foram colocados como desafios.

O descarte de outros produtos como a pilha e o copo descartável foi mencionado como um grande incômodo. Alguns professores comentaram do desperdício de copo descartável da própria comunidade escolar.

Não saber o quanto se gasta em dinheiro com a compra dos copos é um ponto negativo para tomada de outra atitude. Assim como saber que o nosso imposto é pago para aterrar matérias primas de alta qualidade como o alumínio da caixa longa vida - professora

3. Dinâmica - Pensando soluções:

Apresentada uma sequência de slides em power point sobre dados do projeto e retomado o objetivo do trabalho.

Alguns depoimentos decorreram expressando a dificuldade que é praticar a coleta seletiva na escola, pois o município não dispõe deste sistema e a cooperativa não consegue atingir todas as localidades.

Uma professora relatou que existe coleta seletiva na sua escola, não de todos os materiais. Alguns recicláveis são doados aos catadores e a escola vende papelão para juntar recursos financeiros e complementar atividades lúdicas com as crianças. O depoimento foi positivo e gerou motivação aos demais participantes. Aproveitando o relato, foram trabalhadas dicas de como se pode implantar a coleta seletiva. Momento bastante produtivo, pois o grupo de professores consegue aprofundar reflexões e possuem condições de análise crítica com bastante suavidade. O grupo alcançou compreensão e trocou experiências aproveitando os próprios relatos, de forma bastante rica.

4. Motivação

Para fortalecer a disponibilidade de mobilização apresentada por este grupo de professores, foram trabalhadas mensagens de motivação, incentivando a implementação de ações e projetos na escola. Estimulou-se que cada um continue acreditando no potencial de mudança, pois o professor tem um papel de extrema importância para a renovação da humanidade.

A educação ambiental deve ser trabalhada com os adultos e incentivou-se que cada professor pensasse em uma forma de difundir as informações trabalhadas na oficina com os demais colegas, além de seus respectivos educandos. A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo vem se dedicando firmemente à formação continuada do professorado, segundo depoimento do Sr. Luis Roberto R. de Mattos.

Sobre o professorado, apresentaram-se 04 tipos de perfis sobre a concepção de meio ambiente: O entendimento dos 04 perfis permite a identificação da melhor abordagem para replicar o conteúdo desta formação. Assim, rapidamente foram debatidas formas de motivar e integrar a equipe para desenvolvimento de atividades sobre a temática tratada.
Na concepção de meio ambiente, podemos diferir 04 perfis de entendimento sobre este conceito:
- perfil genérico
- perfil desassociado
- perfil externo
- perfil sistêmico

O perfil genérico é referente à percepção de que meio ambiente é um grande todo, cuja compreensão deste todo limita-se à sua própria existência. A pessoa não consegue enxergar ainda as relações nem os elementos que compõem o todo, sem maior reflexão.
Já o perfil desassociado engloba a concepção de meio ambiente daquele educador que vê os elementos bióticos e abióticos no ambiente, mas não estabelece relações entre si. Problema ambiental: queimada na Amazônia.
Para a concepção externa, o educador percebe a cultura humana como um dos elementos do meio, além dos fatores bióticos e abióticos e sua relação, porém, não se sente inserido nele, muito geralmente transferindo responsabilidades para terceiros. Encontramos como exemplo desta resposta: coleta seletiva é um problema ambiental, mas a responsabilidade é do governo.
A noção de interdependência e o sentimento de pertencimento aparecem muito claramente para alguns educadores que se vêem como parte do problema, ao mesmo tempo como parte do equacionamento do mesmo. O perfil sistêmico compõe aquelas percepções de meio ambiente em que o educador influencia ao mesmo tempo em que é influenciado pelas questões socioambientais. Para estes, em pouquíssimos contextos podemos falar em questões ambientais pois a cultura humana está impactando para o positivo ou para o negativo as relações sociais e os elementos bióticos e abióticos.
Não é raro observar que os educadores que possuem a visão sistêmica sobre meio ambiente, conseguem adequar seus conteúdos programáticos em atividades mais envolventes aos alunos, trazendo-os à reflexão de sua própria atitude, além do aumento de sua capacidade cognitiva.

De forma geral, os coordenadores identificaram que os que possuem visão externa se encontram desmotivados ou apáticos sobre a temática, necessitando de estímulos por parte de seu coordenador.

Levar informação é importante especialmente para os que possuem a visão genérica e divulgar resultados de trabalhos se mostra interessante para os que possuem a visão desassociada. Assim, esta pessoa recebe um incremento de possibilidades em seu campo cognitivo, o que facilitará a ampliação de seu entendimento.

Foi retomada a explicação sobre como envolver de forma mais efetiva os colegas e os educandos, utilizando-se de técnicas neurocientíficas. Vivenciar experiências constitui em permitir o estímulo dos sentidos no corpo humano, o qual, integrado ao campo cognitivo, reforça a prática.

Sugerido aos professores trabalharem com atividades e projetos que estimulem a audição, olfato, paladar, visão e tato. A sensibilização serve como porta de entrada para a informação e sensibilização. Só se muda, se está sensibilizado para tal.

5. Dinâmica achando soluções

A dinâmica foi apresentada aos professores e rapidamente surgiram os voluntários para preencher os papéis sugeridos.

Desenvolvimento: A diretora Márcia abriu a sessão, apresentou todos e passou a fala para a professora apresentar o projeto.
Argumentos utilizados: todos têm que trabalhar junto; escola não tem como financiar, sem recurso; quer o projeto e saber das parcerias tanto financeira quanto dos professores.
Professor motivado: sugere solução para o resíduo da merenda e para as folhas: fazer a compostagem, para adubar as flores. Com calma, explicou o que é compostagem.
Agente de limpeza justifica que não vai fazer porque a escola não tem espaço físico. Mexer com lixo orgânico vai juntar bicho e ninguém vai ajudar.
Professor desmotivado: este projeto não deu certo nas escolas onde trabalhou. Um ou dois professores trabalham e os outros tiram o corpo fora.
Coordenadora Janete: já esta sobrecarregada; necessita de parceria; fazer rifa para buscar recurso; solução para o financiamento da rifa, etc.
Aluno Eduardo: até aceitou a sugestão de ser o monitor das turmas. Mas percebe que tem um problema: sempre nota que os projetos não são contínuos. Sugere envolver todos da escola.
Pai Luis: quis saber o que é compostagem, para que serve, se é coisa suja. E se os alunos menores caírem no buraco - Questionamento sobre a segurança dos alunos.
Cozinheira Ana Paula: não vai dar certo porque os alunos não conseguem nem fazer o mínimo. Precisa ver a bagunça que os alunos deixam na hora do intervalo;
Funcionária da limpeza Norma: tem que cortar as árvores; vai juntar bichos, não cata bicho de jeito nenhum... Questionou sobre a rifa; pois a diretora não deixou ela vender cosmético como fonte complementar de renda.

Análise:
Os pontos levantados pelos professores como resultados desta dinâmica foram:
- Argumentos / falas / posturas comuns a todas as escolas;
- Na hora de lançar o projeto todos se empolgam e depois caem no esquecimento;
- Praticamente impossível conseguir consenso e igual nível de participação nas ações da escola;
- Todos transferem responsabilidades ao outro;
- Dúvidas, perguntas e medos infundados. Muitos projetos não são abraçados pela equipe escolar pelo simples fato de que a mesma desconhece o processo, a causa, as conseqüências, as implicações positivas e negativas, os benefícios.

A professora que sugeriu o projeto na dinâmica fez exatamente assim com o projeto de compostagem na escola onde dá aula. Apresentou a proposta para a diretora, que pediu opinião de outras pessoas e ninguém se envolveu. Ela citou o caso da professora de matemática que disse que o gás ia prejudicar a escola, pois a compostagem poderia causar explosões.

Houve o relato de o projeto não precisa abraçar o bairro. Ao iniciar um projeto, mesmo que pequeno, mas que gera credibilidade, as crianças se envolvem e não dão trabalho. Pelo contrário: facilitam o trabalho do professor.

Uma professora mencionou que só o fato de trabalhar os resíduos gerados na escola, entendendo o que são e o que não são recicláveis e o porquê, já há um ganho na conscientização do aluno, pois ele passa a entender química, física, geografia, língua portuguesa, matemática. Além disso, ele passa a perceber o tamanho do desperdício que ele mesmo faz. Se a gente não pára para olhar, esta questão passa batida.

6. Vídeo Quixote Reciclado

Alguns acharam o filme cansativo. Outros acharam-no bom, apesar de ser meio escuro e parado. Uma professora se identificou com D.Quixote e estendeu aos demais colegas, pois os professores querem fazer, tem ações e se sentem como um D.Quixote. É importante lembrar que todos juntos fazem uma grande frente de batalha. Cada um precisa lembrar que está dando um passinho. Divulgado o site www.rotadareciclagem.com.br.

7. Análise da embalagem e demonstração da sua reciclagem

Muitos conheciam o processo de papel reciclado e não houve muitos questionamentos sobre os produtos reciclados do plástico e alumínio.

8. Ações programadas

Retomados os 04 perfis sobre a concepção de meio ambiente observada no professorado. Compartilhado com o grupo, o qual aprofundou um pouco mais os perfis 3 (externo) e 4 (Sistêmico). Os professores foram subdivididos em grupos, fazendo um exercício de analisar o perfil da concepção do meio ambiente. Notou-se que os perfis mais significativos foram o 3 e 4.

Após esta rápida troca de experiências entre eles, anotaram-se alguns apontamentos:
- Alguns professores já fizeram outros tipos de ações, mas o difícil é sair da campanha e fazer com que seja um trabalho diário;
- Gestores e alunos devem ser envolvidos para que este tipo de projeto tenha sucesso;
- Parcerias, divulgação de resultados são sempre estratégias de efetividade;
- A prática deve ser alicerçada com o trabalho de valores humanos;
- A falta de participação da família na escola dificulta muitas coisas;
- Desenvolver atividades em que os pais podem participar como levantamento de fotos antigas no bairro, receitas tradicionais, brincadeiras de rua...
- Mudança é relacional, tem que criar e relação;
- É necessário registro;
- Ter o perfil sistêmico como objetivo da equipe de professorado, quando for coordenador; e dos educandos quando for professor;
- Inovar atividades, levar os alunos para fora do páteo, mesmo que seja um pouco de paciência para eles aprenderem a se comportar em ambiente aberto;

9. Encerramento

A oficina foi encerrada agradecendo a participação de todos, o apoio da Secretaria de Educação e da Jussara. A Jussara sorteou as sacolas e produtos como brindes. A mensagem de encerramento foi a dica: Quando planejar uma aula, pense também quais são os valores a serem trabalhados, envolvidos nas atividades. Assim, caminhamos mais rápido em direção à sustentabilidade.




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