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07/06/2013

Educar 2013 contou com laboratórios virtuais, aulas em 3D e robôs além de esqueletos em resina e livros


Revista Educação

O professor se aproxima, põe os óculos e começa a olhar atento para a tela de cristal líquido. O expositor pede, então, que ele se afaste, para que o animal tenha espaço. Um tanto quanto que descrente, o docente recua. E, em poucos segundos, um tubarão em 3D salta da tela e surge um ar de surpresa. “Não achava que a sensação seria tão real. É muito bem feito”, afirma Rafael Cunha, coordenador de língua portuguesa e redação do colégio Pensi, do Rio de Janeiro, que visitou o estande da P3D, empresa de software em tecnologia tridimensional, na Educar 2013. “A questão é até que ponto isso é aplicável na sala de aula, destaca Cunha.

Maior vitrine dos expositores da Feira, as novidades tecnológicas conviveram durante os quatro dias de evento com estandes de livros, esqueletos de plástico, móveis escolares e canetas esferográficas, lembrando que o mundo real ainda é uma mistura do digital com o analógico.

Um dos endereços mais requisitados foi o da Pimpão, empresa que vende livros e materiais pedagógicos. Na livraria do local, que comercializou mais de 300 unidades por dia, dezenas de professores abasteciam suas estantes. “Prefiro o livro tradicional. Acho que é uma questão cultural”, explica Cristiane Santos, professora de ensino médio em Juazeiro, na Bahia, que possui um tablet, mas não usa para leitura.

No espaço ao lado, uma fila com cerca de 50 pessoas aguardava, com seus livros em punho, a hora de pegar um autógrafo do escritor Philippe Perrenoud, sociólogo e especialista em práticas pedagógicas. “É o momento que você pode ter um contato com mais próximo com o autor”, lembra Maurício Nunes da Silva, professor de língua portuguesa de São Paulo.

A poucos metros dali, o professor Paulo Vieira Neto, que dá aula para cursos de engenharia e administração na Estácio UniRadial, acompanha os passos de uma experiência arriscada na bancada do laboratório de química localizado no estande da Pearson. A combinação de elementos não dá certo e é possível ouvir uma explosão, com pedaços de vidro voando pelo cenário.

Mas não houve sustos nem prejuízos. Tudo faz parte do Laboratório Virtual, solução de software que permite simular ambientes de estudo prático de Física e Química (em agosto sai a versão de Biologia). Com o uso de uma lousa digital, é possível selecionar os elementos químicos e os instrumentos utilizados em experimentos de laboratório apenas tocando e arrastando os itens na tela. “No laboratório tradicional há sempre uma limitação de número de alunos que podem utilizá-lo ou mesmo de falta de materiais”, destaca Vieira. A solução, que tem como foco alunos do ensino médio, é vendida em kits a partir de 30 licenças e pode ser utilizada também em computadores, com o uso do mouse.

No espaço da empresa Vivacity, a atração é um simpático robô humanóide de cerca de 60 centímetros, que se exibe mostrando sua capacidade de locomoção e flexibilidade. Utilizado em mais de 450 universidades no exterior para simulações e pesquisas, o equipamento, batizado de NAO, pode ser utilizado no aprendizado de áreas como ciência da computação, engenharia, física e matemática. Os usuários têm acesso a ferramentas de programação e podem personalizar as funções do equipamento.

Com tanta tecnologia, ainda há espaço para os produtos tradicionais no aprendizado? Sem dúvida. Principalmente porque o cenário da educação no Brasil ainda está mais para o quadro negro do que para a lousa digital.

Na área da empresa Homelab, o virtual é substituído pelo real, pela sensação do tato. A empresa oferece um kit com 236 peças, destinado ao ensino fundamental, que inclui esqueleto humano, torso com órgãos e modelo de arcada dentária, entre outros. “A tecnologia é necessária, mas trabalha na área do virtual, não substitui o ato de tocar. Por isso ainda há espaço para produtos como um esqueleto”, avalia Ari Herculano de Souza, professor do ensino médio por 45 anos.