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21/04/2015

Companhia reaproveita água de esgoto para limpar cidade do Rio


Ciclo Vivo

Com a crise hídrica que afeta a Região Sudeste, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) implantou no Rio de Janeiro um sistema de água de reuso, no qual o esgoto tratado é destinado à limpeza urbana e ao consumo industrial. As estações de tratamento de esgoto Alegria e Penha já fazem esse tipo de operação. Segundo a Cedae, a intenção é que o sistema seja estendido a outras estações.

Para a água ser novamente utilizada, o esgoto passa por quatro etapas de tratamento, responsáveis pela remoção gradual de resíduos como lixo, matéria orgânica, areia e micro-organismos, além de um processo de desinfecção. O processo leva 12 horas para ser finalizado.

De acordo com o gerente de Tratamento de Esgoto da Estação Alegria, Miguel Cunha, o procedimento já existia e ganhou mais uma etapa para que o produto final do tratamento do esgoto pudesse ser reutilizado. "O esgoto que recebemos vem em estado bruto, com 99,8% de água e 0,2% de impurezas. Na estação, removemos os poluentes até que a água tenha qualidade para ser lançada na Baía de Guanabara. Para usá-la como água de reuso, acrescentamos uma quarta etapa ao processo, que é a adição de cloro. Dessa maneira, ela pode ser usada para diversos fins industriais e de limpeza."

A Estação da Penha recicla mensalmente cerca de seis milhões de litros de água, que são fornecidos à Companhia Municipal de Limpeza Urbana para limpeza de ruas após feiras livres, calçadas, praças e monumentos do Rio. Na Estação da Penha, 910 mil litros de esgoto são tratados mensalmente e a água de reuso originada é encaminhada para o setor de construção e limpeza das obras do Porto Maravilha, no centro da cidade.

De acordo com a Comlurb, são utilizados cerca de 12 milhões de litros de água de reuso por mês em limpeza urbana, e a água só tem essa finalidade, sendo imprópria para outros usos. A companhia informa que, mesmo sendo água de reuso, existe preocupação de economizar e ter uso consciente.

Atualmente, existe um projeto em desenvolvimento na Cedae para aproveitamento também da água usada na retrolavagem dos filtros e decantadores da Estação Guandu. O produto final será fornecido ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, que fará uso industrial do material.

Para o presidente da Cedae, Jorge Briard, a reutilização para limpeza é uma solução consciente, porque não é razoável usar água potável para tal finalidade. Ele disse que a água destinada ao consumo humano demanda um trabalho enorme para ser tratada e que há dificuldades quantitativas e qualitativas de uso. "Por isso, consideramos tão importante fomentar o reuso. Queremos ampliar esse projeto para todas as estações de tratamento de esgoto."