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07/08/2015

Caixa eletrônico que vende água barata alcança mais de 100 mil pessoas na África

Giovanna Rossin
INFO

Uma parceria público-privada entre o governo de Nairóbi, capital do Quênia, e a companhia dinamarquesa de engenharia hídrica Grundfos resultou na instalação de sistemas de distribuição de água limpa e barata em áreas pobres da cidade, muito parecidos com caixas eletrônicos. Esta é a primeira parceria desse tipo no Quênia, que já vinha recebendo projetos pilotos desde 2009. Segundo a empresa, desde o início do projeto, mais de 100.000 pessoas em todo país foram beneficiadas e o plano é expandir o mesmo esquema para outros países em desenvolvimento.

A máquina de abastecimento, muito similar a um caixa eletrônico, por isso apelidada de "Water ATM", tem duas principais vantagens: a facilidade de operação e o baixo preço de venda da água. Três itens compõem o sistema de distribuição: a máquina central, ou "caixa eletrônico de água", que fornece o recurso e controla as transações de compra; um cartão de crédito inteligente, que pode ser recarregado pelo celular ou pelo site da companhia; e um sistema computacional onde são processados os dados daquele quiosque hídrico, como a demanda local e a frequência de operações. A bomba submersível funciona à base de energia solar e "produz" um metro cúbico de água por hora - um filtro é adicionado ao distribuidor. Uma vez que o cartão é inserido na máquina e o consumidor indica a quantidade de água que gostaria de retirar, a água cai automaticamente por um cano até o galão.

A companhia de distribuição de água local em Nairóbi, Nairobi City Water and Sewerage, informou à BBC que vende 20 litros água pelo preço de 0,5 xelins quenianos, valor equivalente a dois centavos de real. Antes da implementação do projeto, os moradores do subúrbio de Nairóbi compravam a mesma quantia por 50 xelins - cem vezes mais do que as máquinas de distribuição. Os chamados cartões inteligentes foram distribuídos de graça aos residentes de Mathare, uma das maiores favelas da capital. A eles basta carregá-los com a quantia desejada, sem limite de valor.

Quando a Grundfos lançar o produto comercial (oficialmente denominado AQtap) a nível global, ainda sem previsão, os clientes é que vão determinar o valor da água - mas nada muito mais caro do que o preço em Nairóbi. Como os distribuidores podem ser conectados à rede pública de água local, será possível construir uma rede de quiosques conectados entre si. Os AQtaps serão vendidos a serviços públicos de água e ONGs, que poderão ter acesso a esses dados para diversos fins. Cada unidade será vendida a um preço entre 4.000 e 5.000 dólares.