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09/11/2014

Água de esgoto será 'reaproveitada' para abastecimento de Campinas, SP

Tetra Pak
G1

Após o agravamento da crise hídrica em Campinas (SP), a Prefeitura anunciou nesta quinta-feira (30) que a Sanasa pretende lançar 890 litros por segundo de água de esgoto tratada para reúso - 99% pura, mas imprópria para o consumo - nos rios Atibaia e Capivari, com a intenção de abastecer a cidade. Para isso, serão necessárias duas obras, no prazo de um ano e meio. Segundo o prefeito Jonas Donizette (PSB), antes de chegar as torneiras, o produto ainda passará por mais uma etapa de purificação na estação.

A medida prevê que a água de reúso seja lançada antes dos pontos que a cidade capta água nos dois rios. Atualmente, a Sanasa, empresa responsável pelo abastecimento da cidade, produz 60 litros por segundo do líquido com 99% de pureza na estação na Capivari 2. Inaugurada em abril de 2012, ela pode chegar a até 360 litros por segundo.

Os 19 km de adutora para levar água de reúso da estação já existente para o Rio Capivari serão feitos pela concessionária do Aeroporto Internacional de Viracopos e, como contrapartida, a Sanasa dará descontos na conta de água do terminal aéreo. A intervenção tem custo previsto de R$ 12 milhões. A medida deve adicionar cerca de 290 litros por segundo no ponto de captação da cidade. O atual consumo de toda a população atinge picos de 4 mil litros por segundo.

Rio Atibaia

Já em relação Atibaia, ainda é preciso modernizar a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Anhumas para que ela produza água de reúso e, com isso, possam ser lançados 600 litros por segundo no rio. O custo previsto é de R$ 90 milhões e a Prefeitura ainda avalia como conseguir o dinheiro. "Nós vamos estudar a modelagem jurídica que nós vamos usar para poder fazer essa obra", disse o prefeito.

Na estação Capivari 2, que já produz a água de reúso, o tratamento do esgoto é feito com a tecnologia de membranas de ultra filtração - o processo é físico e biológico, sem a utilização de produtos químico, portanto mais barato. O processo gera 99% de pureza, mas, apesar disso, o líquido não é potável e serve somente para manutenção de praças, jardins e lavagens em geral.

"É um momento muito crítico. Em outubro esperávamos uma quantidade maior de chuva", comentou o prefeito. Outro anuncio, foi a contratação de um estudo que avaliará um local para instalação de um reservatório com capacidade para abastecer a cidade por 77 dias. A atual estrutura do município permite o estoque de por apenas seis horas.

Multa por desperdício

O prefeito também disse que haverá mudança na lei que estipula multa pelo desperdício. Com a alteração prevista por Jonas, que precisa passar pela Câmara de Vereadores, o consumidor flagrado será automaticamente penalizado, diferentemente da atual regra, que exige reincidência antes da punição financeira.

Segundo o pessebista, o projeto de lei será enviado para o Legislativo em novembro. "Acreditamos que já está mais do que esclarecido pela imprensa, por tudo que a cidade viveu, essa questão que a água não pode ser desperdiçada", disse o prefeito para justificar a mudança. A medida prevê ainda a isenção da multa caso o consumidor flagrado faça um curso na Sanasa sobre como economizar o recurso hídrico. O valor da punição será de três vezes o preço da conta.

Diferentemente da medida adotada da Sabesp, que dá desconto aos que economizam água, em Campinas o prefeito afastou fazer abatimento no valor da conta e justificou ao dizer que o atual modelo de cobrança adotado na cidade já prevê diminuição do preço caso haja alteração na faixa de consumo. Além disso, na avaliação de Jonas, é preciso levar em conta a realidade de cada cidade. Ele também ressaltou a necessidade da Sanasa manter a "saúde financeira" para fazer os investimentos que garantam o abastecimento.