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06/06/2018

Vandalismo e mau uso de lixeiras e contêineres dificultam implantação do serviço no Brasil


Movimento Lixo Cidadão

O uso de contêineres e lixeiras é a maneira mais adequada para o depósito de resíduos em uma região, segundo comprovam as principais experiências mundiais na gestão de resíduos urbanos. Esse tipo de recipiente evita que sacos de lixo sejam colocados diretamente no chão e, assim acabem se espalhando e resultando em mais sujeira, entupimentos de caixas de sarjetas e bueiros; e consequentemente os temidos alagamentos e enchentes. Sem nem contar que lixo em contato com o solo cria ambiente propício para a atração de ratos e insetos, transmissores de doenças.

Na Europa e nos Estados Unidos, os contêineres de lixo funcionam muito bem e são fundamentais para um serviço de gestão de resíduos sólidos de qualidade. Por exemplo, na Espanha, a cada 20 ou 30 metros, há um recipiente grande para receber os resíduos de casas e comércios locais, atendendo bem as necessidades da região. Os Estados Unidos também são adeptos dessa prática e, por meio de caminhões coletores que encaixam diretamente nos contêineres, realizam um serviço efetivo, sendo necessário apenas um botão para que o lixo seja recolhido. Assim, o profissional coletor não tem necessidade de contato direto com os resíduos.

Seguindo o modelo mundial, o Brasil também caminhou para a implantação de lixeiras e contêineres. Mas por conta de mau uso e até vandalismo, o que era para ser um comodismo e um benefício para a população, vem se tornando um prejuízo para as entidades responsáveis pelo serviço. Tanto que algumas delas estão abandonando a prática.

Para você entender a dimensão do problema, só em Salvador a destruição e furto de lixeiras causa um prejuízo mensal de R$ 15 mil aos cofres públicos municipais. Segundo a empresa responsável pela limpeza urbana, todo mês cerca de 70 coletores precisam ser repostos na cidade e que, desde o começo do ano, mais de 330 equipamentos deste tipo já foram recolocados. Somado a isso, a fim de amenizar a prática em Salvador, foram contratados mais agentes de fiscalização às lixeiras, o que gera um custo ainda maior com o serviço, mas mesmo assim, a depredação aos recipientes continua sendo recorrente.

Em todo o caso, isso não é uma particularidade só de Salvador. A cidade de São Paulo vem sofrendo bastante com o mau uso dos contêineres. Segundo a Loga, uma das empresas responsáveis pela limpeza urbana da cidade, os contêineres para lixo doméstico estão sendo encarados como caçambas de entulho pela população, impossibilitando a coleta devida dos resíduos.

Em 2012, a empresa implantou cerca de 850 pontos de contêineres na cidade, começando pela região dos Jardins, porém, apenas seis anos depois, o vandalismo fez reduzir a oferta desses equipamentos e hoje só existem 660 em uso.

“No caso dos Jardins, há o descarte de resíduos inapropriados por parte dos moradores e por carroceiros, que muitas vezes trazem materiais de outras regiões. Estes resíduos são de construção civil, móveis e grandes objetos e galhos, folhas e restos de poda”, explica Francisco de Andrea Vianna, coordenador de planejamento da Loga, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Apesar dos esforços das empresas em conscientizar sobre o uso devido das lixeiras e contêineres, esse tipo de prática continua acontecendo no Brasil. É muito importante que o cidadão entenda que esse é um serviço em prol da sociedade, de forma que evite esquinas cheias de entulhos/lixo e pontos viciados de descarte. Os contêineres e lixeiras são apenas o meio, mas quem dá o fim devido ao lixo é o cidadão. Cabe a cada um fazer sua parte, depositando cada resíduo em seu ponto especifico, evitando a propagação de lixo pela cidade e tornando sua cidade um lugar mais limpo para todos.

Fonte: Correio, Veja, Loga