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13/08/2014

Municípios de Santa Catarina eliminam em 100% o uso de lixões

Tetra Pak
Jornal Hoje

De cada dez municípios brasileiros, seis ainda têm lixões. Agora, esses prefeitos correm o risco de responder por crime ambiental e de pagar multas milionárias.

No Brasil só no estado de Santa Catarina todas as cidades acabaram com os lixões. Hoje o estado é um exemplo para todo o país. Mas até a virada do século, mais de 80% dos resíduos urbanos do estado iam parar em lixões a céu aberto.

Junto com a Fundação do Meio Ambiente no estado, o Ministério Público conversou com os prefeitos sobre o assunto. Os prefeitos assinaram compromissos de ajustamento de conduta. Primeiro eles recuperaram as áreas dos lixões e depois encontraram locais adequados para os resíduos sólidos. Foi uma virada radical.

Atualmente Santa Catarina é um estado sem lixões. É o que mostra um estudo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária. Na prática, isso quer dizer que todos os resíduos domiciliares produzidos no estado têm como destino aterros sanitários.

Os aterros sanitários devem ficar afastados de áreas urbanas e de cursos d'água; os resíduos são cobertos com terra para evitar moscas e o mau cheiro; o terreno precisa ser impermeabilizado com argila ou com uma manta plástica. Isso impede que o chorume, que escorre do lixo, contamine o solo e as águas. Todo o chorume deve ser tratado.

A decomposição do lixo também gera o biogás, que precisa ser queimado para evitar o risco de explosões nos aterros. O ideal é que o biogás seja aproveitado. Uma usina de Itajaí usa o biogás do aterro sanitário para produzir energia elétrica para 3,5 mil casas.

Para a engenheira sanitarista, Fernanda Vanhoni, o volume de resíduos nos aterros cair pela metade. “Poderia ser separado, reaproveitado, voltar para o processo produtivo e viria pros aterros sanitários somente a parte você não tem mais aproveitamento”, explica.

Hoje há 36 aterros sanitários para atender todos os 295 municípios de Santa Catarina e de acordo com o Ministério Público, sete deles ainda precisam melhorar. "O programa, ele é permanente, portanto, haverá uma fiscalização continua em relação aos aterros sanitários até porque para virar um lixão basta um descuido”, explica o procurador de justiça, Alexandre Herculano Abreu.