Share |
13/01/2015

Campinas contrata cooperativas para coleta dos recicláveis


Cempre Brasil

Terceiro município mais populoso de São Paulo (atrás apenas da capital e de Guarulhos), Campinas está dando um grande exemplo em seu compromisso com os pressupostos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. No dia 20 de janeiro deste ano, a prefeitura oficializou a contratação da primeira cooperativa de catadores para coleta seletiva e triagem de resíduos urbanos recicláveis. Lançada em 1992, com instituição do programa municipal em 2001, a coleta seletiva cobre hoje cerca de 70% dos domicílios de Campinas, tendo como principais parceiros as cooperativas de catadores. “Depois da promulgação da Política Nacional, iniciou-se no município uma mobilização política das cooperativas, em busca do acolhimento pela prefeitura, para a contratação de seus serviços. Em 2013, a organização de cooperativas Reciclamp protocolou um documento de intenção de contratação que continha todos os quesitos legais para a prestação de serviço. Com o aval do prefeito, a Reciclamp e o Departamento de Limpeza Urbana passaram a trabalhar em uma proposta técnica para elaboração do contrato que foi dividido em dois serviços: coleta/entrega na cooperativa e triagem”, conta Mário Marcelo Ramos, técnico de Economia Solidária da Prefeitura.

A prefeitura divulgou, então, as exigências mínimas para a contratação e somente a Cooperativa Antonio da Costa Santos atendeu a todos os requisitos. Fundada em 2001, ela conta com 40 cooperados e possui um galpão de 750 m2 em um espaço de 2.000 m2, cedido em 2013 pela prefeitura com concessão de posse por quinze anos.

Após a contratação, a prefeitura passou a realizar o pagamento através da Secretaria Municipal de Serviços Públicos.A Secretaria Municipal de Trabalho e Renda disponibiliza vale-transporte aos cooperados da Antonio da Costa Santos (bem como às demais cooperativas locais) e o empreendimento dispõe da estrutura de logística e triagem. “Existem hoje doze cooperativas de resíduos sólidos e uma associação de catadores de material reciclável vinculadas à prefeitura, através da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda que, por meio de um relacionamento muito próximo, visa incentivar a autogestão e a sustentabilidade. Recebemos atualmente recursos de um convênio com a Secretaria Nacional de Economia Solidária para equipar e dar treinamento às cooperativas”, detalha Mário Marcelo. “A contratação da Cooperativa Antonio da Costa Santos é um projeto-piloto e a ideia éestendê-lo às demais após a avaliação de seus resultados.”

A julgar pelas prévias obtidas, o retorno tem sido bastante positivo. De acordo com Mário Marcelo, entre as vantagens da contratação estão: o contato direto da cooperativa com o gerador, estabelecendo assim um vínculo de parceria que abre espaço para a divulgação contínua da coleta seletiva; o aumento em torno de 30% do volume recolhido, chegando a um índice de 65% do potencial de recicláveis; a melhoria da qualidade dos materiais que proporcionou maior aproveitamento e agilidade na triagem.

“Os primeiros recursos do contrato foram provisionados em uma conta exclusiva e, até agosto, o valor mensal de retirada dos cooperados era de R$1.488,00, sendo que a média de setembro e outubro atingiu R$ 1.992,00”, enumera. Para sustentar o sistema, a adesão da população é incentivada com constantes campanhas de conscientização, inclusive nas escolas locais. “A coleta seletiva ainda é considerada um custo, mas deverá ser vista, cada vez mais, como um investimento social e ambiental”, recomenda Mário Marcelo.