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26/07/2015

Sul do Brasil possui programa para reciclagem de embalagens de agrotóxicos


Pensamento Verde

Evitar de uma vez por todas o uso de agrotóxicos ainda não é uma realidade, mas há quem tente, de alguma forma, minimizar os danos que ele causa no meio ambiente. O SindiTabaco (Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco) e empresas associadas, com o apoio da Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil), encontrou uma forma de reciclar as embalagens vazias de agrotóxicos usadas no Rio Grande do Sul.

Em outubro deste ano o Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos completa 15 anos. Possui 2,3 mil pontos de coleta espalhados por 563 municípios e beneficia mais de 130 mil produtores gaúchos e catarinenses. Até o momento já foram recolhidas mais de 11,2 milhões de embalagens. Os produtores de tabaco e de outras culturas participantes do programa recebem comprovantes que são apresentados aos órgãos de fiscalização ambiental.

“O objetivo do programa é preservar o meio ambiente de possível contaminação por descarte inadequado de embalagens vazias e disseminação de resíduos de agrotóxicos. Também protege a saúde e a segurança dos produtores de tabaco e de suas famílias”, explica Iro Schünke, presidente do SindiTabaco.

De acordo com pesquisa realizada em 2012 pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP), a cultura do tabaco utiliza 1,1 kg de ingrediente ativo por hectare. Já em outras culturas, este número pode chegar a 70 quilos por hectare.

Destino ecologicamente correto

As embalagens devem estar devidamente tampadas e lavadas para serem recebidas e enviadas às centrais do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). Lá o recipiente é separado por tipo, tamanho e coloração, prensado e acondicionado em fardos. As tampas são embaladas separadamente.

O material é enviado para empresas recicladoras e, de acordo com informações do inpEV, o material processado pode ser usado na construção civil (madeira plástica, conduítes para fiação elétrica e dutos corrugados), na confecção de embalagens para óleo combustível e para agrotóxicos (camadas intermediárias). As embalagens de vidro também dão origem a novas embalagens e outros produtos da indústria vidreira.

Tecnologia

Este ano os registros deixaram de ser feitos manualmente e agora o acesso se dá por meio de um aplicativo desenvolvido por empresa de tecnologia santa-cruzense. No momento da entrega, o cadastro do produtor será atualizado e este receberá o comprovante de entrega das embalagens tríplice lavadas, com o registro da data e da quantidade de embalagens devolvidas.

O aplicativo instalado no dispositivo móvel estará sincronizado com a base de dados sempre que possuir conexão com a Internet, garantindo a atualização dos dados. “Com o software, teremos um programa ainda mais eficaz em termos de gestão. É mais um investimento e um avanço que damos em direção à saúde e segurança dos produtores e à proteção ambiental, objetivos máximos do programa”, declara Iro Schünke.