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02/05/2017

Globo Repórter retrata o dia a dia dos catadores


G1

Nesta última sexta, dia 28 de abril, o Globo Reporter retratou como é a profissão e o dia a dia dos catadores. A reportagem começou com Sergio da Silva Bispo, que foi abandonado pelos pais, nunca frequentou a escola e já morou nas ruas. Durante 10 anos, trabalhou como catador puxando um carrinho para coletar os resíduos. Hoje em dia, Bispo possui um carro, e com muito planejamento, a coleta cresceu. Na lataria, a frase explica tudo: “Lixo não existe”. “Não só faço a coleta seletiva, faço a gestão de resíduo. O resíduo que eu vou levar, vou pesar, vou mandar relatório. Resíduo que não for reciclável, eu vou encaminhar para dar o destino correto”, explica.

O dia de Bispo começa com a primeira parada em um restaurante, onde ele recolhe os resíduos duas vezes por semana. O chef de cozinha Antônio Carlos Galvão conta que a parceria é baseada na confiança. Foi Bispo quem orientou o descarte seletivo no restaurante. Ele explica que a comida não pode se misturar com garrafas, plástico ou papelão. “Cada dia mais o resíduo vai melhorando a qualidade e o lixo não vai existindo. A ideia é nunca mais existir o lixo. Resíduo é matéria-prima, lixo não existe”, diz. Outro lugar que Bispo recolhe resíduos, é de uma escola da classe alta paulistana. Lá, ele também dá palestra aos alunos sobre reciclagem. “Não tive oportunidade de ir para escola, de estudar. Hoje estou em um colégio dando palestra para milhares de meninos e meninas. Isso pra mim é muito importante.” – completa Bispo. A reportagem contou, ainda, com o repórter Pedro Bassan vivendo um dia como catador nas ruas de São Paulo.

Existem cerca de 800 mil catadores no Brasil, uma profissão reconhecida pelo Ministério do Trabalho, mas que ainda sofre muito preconceito. Felizmente, os catadores não recolhem só intolerância e hostilidade nas ruas. Muitas vezes, pelo caminho, vão juntando provas de amizade. Com Fabiana da Silva é assim, outra catadora que teve sua rotina retratada, e esbanja simpatia e recebe carinho por onde passa. “Gosto do que eu faço. Então, não estou nem aí. Falam que eu estou catando lixo. Eu não estou catando lixo, eu estou reciclando”, diz. Todos os dias, em média, cada brasileiro descarta um quilo de resíduos, mas poucos se lembram da reciclagem.

A reportagem também mostrou um lixão de Brasília, o maior da America Latina. Lá que Lúcia Fernandes do Nascimento ganha a vida. Há 17 anos, ela sustenta os quatro filhos revirando o lixão. Lúcia faz parte de um batalhão que dia e noite separa o que pode ser vendido para a reciclagem. A renda varia conforme o valor do material encontrado. “Já teve um dia, entre cobre e metal e coisa que eu achei, que tive uma diária de 300 reais aqui. Tem dia aqui que do jeito que você chega você vai embora para casa. Você não tira nada”, conta. Olhando para o passado, Lúcia tem orgulho de tudo o que conquistou no lixão. Ela é presidente de uma pequena cooperativa de catadores e tem uma casa própria em Luziânia, Goiás, a 60 quilômetros de Brasília. Dona Raimunda Ferreira Lima é mais antiga no lixão e amiga confidente de Lúcia. Ela tem 60 anos e trabalha pesado o dia inteiro. “Daqui eu tirei para eu sobreviver, pagar a faculdade do meu filho. Graças a Deus, hoje ele faz faculdade de administração a distância", conta Dona Raimunda.

Veja os vídeos com a matéria completa em: https:/goo.gl/GtBmPR