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06/12/2013

Em novo endereço, Recoopera triplica triagem de materiais recicláveis em Valinhos


Prefeitura Municiapl de Valinhos

Dois meses depois de iniciar sua nova fase em galpão locado pela Prefeitura de Valinhos, no Jardim Valença, a cooperativa Recoopera já recebe 100% do material recolhido na Coleta Seletiva, que atinge 80% dos bairros do município. Em maio deste ano, a sede da Recoopera, que funcionava há mais de uma década na Rodovia dos Agricultores, foi totalmente destruída por um incêndio cujas causas ainda não foram esclarecidas.

Segundo a presidente da Cooperativa, Janine Silva Azevedo, em 13 anos de trabalho em Valinhos, esta é a primeira vez que a Administração Municipal estende as mãos para a cooperativa. "Com esse apoio inédito, o volume de materiais recicláveis triados pela cooperativa triplicou na nova instalação, chegando a quase 130 toneladas ao mês", comemora Janine.

O aumento de serviço também resultou num recorde de cooperados da Recoopera. "Estamos atualmente com 39 integrantes e já em processo de contratação de outros cinco", informa a presidente da cooperativa. A única limitação ainda refere-se à falta de equipamentos. Mesmo assim, nesses dois meses de trabalho nas novas instalações, praticamente, nenhum caminhão de coleta seletiva foi rejeitado.

"Quanto mais apoio recebemos do Poder Público, aumenta mais a nossa responsabilidade e temos que dar conta do trabalho. A Prefeitura de Valinhos tem feito, atualmente, um trabalho elogiável para garantir uma cidade plenamente sustentável, com investimentos em programas de reciclagem e inclusão social. A gente também tem que fazer a nossa parte", avalia Janine.

Números - Segundo a presidente da Recoopera, no antigo galpão, por falta de espaço e infraestrutura, a cooperativa recebia no início deste ano uma média de dois caminhões de coleta por semana, o que gerava em torno de 40 toneladas ao mês de materiais recicláveis. "E olha que estávamos em fase boa de produção, com 32 cooperados", acrescentou Janine, ressaltando que "sempre foi muito difícil o trabalho na cooperativa, pois nunca tivemos apoio do Poder Público".

No novo endereço alugado pela Prefeitura, a Recoopera recebe uma média de 16 caminhões por semana, o que gera um volume de quase 135 toneladas ao mês. A presidente Janine Silva Azevedo explica que esse aumento no volume é decorrente principalmente da melhoria nas instalações, "que possibilitou condições para ampliarmos a quantidade de materiais recebidos".

O novo galpão tem uma área de 1.200 m2, contra 800 m2 do anterior. Além de maior, o espaço oferece melhor infraestrutura, refeitório, vestiários masculino e feminino, dois escritórios e sala para educação ambiental.

Janine informa ainda que, graças ao aumento da produção, o que consequentemente reverte na melhoria da renda de cada um dos cooperados e das condições de trabalho, a rotatividade de recursos humanos na Recoopera praticamente zerou. "Esse era outro grande problema que enfrentávamos e que agora não estamos sentindo mais. As pessoas estão chegando, gostando e ficando", ressaltou a presidente.

Segundo Janine, o principal desafio enfrentado atualmente pela cooperativa é com relação ao alto índice de rejeito por conta de o material estar sujo ou contaminado pelo lixo orgânico. "Além do prejuízo ao meio ambiente e financeiro, é desperdício de tempo dos cooperados no trabalho de triagem", ressaltou Janine.

A meta da Recoopera para o próximo ano, segundo Janine, é receber material reciclável de mais empresas da cidade, "que é um material mais limpo". Hoje, apenas a MWV Rigesa e os Correios colaboram com a cooperativa. "Temos, inclusive, a possibilidade de colocar caçambas nas empresas interessadas", explicou a presidente. As empresas interessadas podem entrar em contato com Janine pelos telefones 981951769 ou 981951680.

Inclusão social – Para a adesão de novos cooperados, a Recoopera mantém parceria com a Sociedade São Vicente de Paulo. Em troca da indicação de pessoas em situação de vulnerabilidade social, a instituição fornece cesta básica aos cooperados da cooperativa. "Procuramos receber aqueles que mais precisam como pessoas mais velhas, com pouca instrução ou mesmo com deficiência, como é o caso de dois dos nossos cooperados", ressaltou. Segundo Janine, o que conta na contratação é a disposição para o trabalho.

Parcerias – A Recoopera aguarda para os próximos meses equipar totalmente o novo galpão. Deve receber até o final do ano de doação da Tetra Pak um kit com prensa, balança e elevador de carga. Já para março receberá outro kit com esteira, prensa e balança por meio de convênio com o Governo Federal. Desde a fundação no ano 2000, a Recoopera conta com o apoio das MWV Rigesa. Atualmente a empresa custeia o transporte dos cooperados, uniformes e equipamentos de proteção individual, além de treinamento da brigada de incêndio.

Cooperados avaliam a nova fase da Recoopera
Maria Lúcia Fernandes, 58 anos, é cooperada há cinco anos. Ela disse que no novo galpão o trabalho está melhor. "Está vindo mais materiais e a gente está ganhando mais", destacou. Sobre a importância da coleta seletiva, Maria Lúcia ressaltou: "além de ajudar a gente, as pessoas estão contribuindo com o meio ambiente".

Wellington Peres da Silva, 19 anos, entrou para cooperativa já na nova instalação. "Eu estava desempregado, mandando currículo para todos os lugares, mas ninguém me chamava. Meu primo que trabalha na cooperativa me indicou, e eu vim para cá. Está sendo uma experiência nova e estou conseguindo receber mais até do que ganhava no meu antigo emprego de porteiro de condomínio".

Ludovina Gazarini Rebechi, 65 anos, está na cooperativa desde a fundação. "Comecei catando recicláveis na rua, depois em 2000 começou a cooperativa. Em maio perdemos tudo no incêndio, mas hoje está bem melhor aqui. E agora queremos melhorar cada vez mais".

Coleta seletiva alcançará 100% de Valinhos em 2014
Segundo a coordenadora da coleta seletiva, Elisabeth Bauerle, a partir de fevereiro do ano que vem, a Secretaria de Obras e Serviços Públicos iniciará a reformulação do programa de coleta seletiva do município, com a inclusão de novos bairros. "A meta é atingir 100% do município", disse.

Segundo a coordenadora, a coleta seletiva é realizada atualmente uma vez por semana nos bairros, que são divididos por regiões. O recolhimento abrange todo tipo de material reciclável em metal, plástico, papel e vidro. A orientação para população é, antes de colocar para coleta, enxaguar as embalagens de produtos alimentícios, de limpeza e de higiene. Vidros quebrados e objetos pontiagudos e cortantes devem ser embrulhados ou colocados em caixas.

Outra proposta da administração do prefeito Clayton Machado é a implantação do 1º Ecoponto da história do município, na própria área onde funciona o galpão da Recoopera, atendendo a Lei Federal 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos Urbanos.

O Ecoponto terá espaços reservados para o recebimento do chamado "lixo eletrônico" (rádios, TVs, computadores, aparelhos celulares e pilhas e baterias), de lâmpadas fluorescentes, de óleo de cozinha, restos de entulho de materiais de construção, sucata e materiais recicláveis.

"O Ecoponto será um grande ganho para a população, que passará a ter um local adequado para o descarte desses materiais, o que contribuirá, de forma decisiva, na construção da cidade sustentável que todos almejamos", destacou o prefeito Clayton Machado. "É obrigação do poder público dar a destinação adequada aos resíduos sólidos, e, assim, zelar pelo meio ambiente e pela qualidade de vida dos moradores", finalizou.