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23/05/2016

A Ação Transformadora da Reciclagem


uol

Quem observa Eliana Leonor, pequenina comparada à montanha de resíduos sólidos com que lida no dia a dia, não imagina o impacto do seu trabalho. Ela faz parte da cadeia de reciclagem - maneira ecologicamente correta de destinar dejetos comuns - em Salvador. A senhora de 53 anos é uma das colaboradoras de triagem da Cooperativa dos Recicladores da Unidade de Canabrava (Cooperbrava). A instituição faz parte da rede solidária de coleta e comercialização de materiais reaproveitáveis da capital baiana, a Cata-Bahia.

Ao chegar à cooperativa, pela manhã, Eliana já sabe o que fazer. "Nosso dia a dia na triagem é normal. Separamos plásticos, latinhas, papelão e outros. O material chega do jeito que as pessoas separam em casa", explica. Além de servir para recuperar e diminuir a produção de novos materiais que demoram a se decompor, como o alumínio, a reciclagem contribui com a geração de empregos para trabalhadores de cooperativas e catadores.

Após perder uma das filhas, Eliana encontrou na reciclagem uma forma de seguir em frente. "Acabei perdendo o emprego por causa da situação e uma de minhas filhas me trouxe para cá. A Cooperbrava foi o meu refúgio. Eu me orgulho do que faço. Se consegui terminar de criar meus filhos, foi graças a esse trabalho", conta, emocionada. Pedro Valmir dos Anjos, 46, tem a história um pouco parecida. Em uma série de demissões em massa na empresa que trabalhava, ele ficou desempregado. "Precisava sustentar a casa e meus filhos, então comecei catando e vendendo ferro-velho. As pessoas pensam que trabalhar com reciclagem é vergonhoso, mas não é. Além de ajudar o meio ambiente, eu consegui educar meus três filhos. Hoje, tenho um engenheiro na família graças a isso", relata.

O professor de educação ambiental e ecologia da Universidade Salvador (Unifacs) Nilton Pinto explica que, além da possibilidade de reinserir materiais no ciclo produtivo, a reciclagem também é questão de saúde e urbanismo. "A reciclagem ajuda a reduzir a proliferação dos vetores de doenças, a exemplo de ratos e mosquito da dengue. Além disso, contribui com questões de ordem pública, como a redução do entupimento dos bueiros", pontua.

PEVs A prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal Cidade Sustentável (Secis), instalou na capital 150 pontos de entrega voluntária (PEVs) ou "caixas azuis", que estão distribuídos desde a orla até o subúrbio ferroviário. Os PEVs foram planejados para estimular a coleta seletiva do lixo simples e residencial. Por meio deles, os soteropolitanos podem contribuir com a redução da quantidade de dejetos comuns que são despejados nos aterros sanitários.

O professor Nilton pondera que somente a instalação de pontos de coleta não é eficiente para diminuir o impacto ambiental. "É uma iniciativa importante, mas só é eficaz se informar bem a população, a fim de alertar as vantagens da política de tratamento de resíduos sólidos", finaliza.