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02/04/2017

Contaminação de plástico ameaça paradisíaca ilha de Bali


G1

Praias paradisíacas, extensos cultivos de arroz e centenários templos hinduístas fazem parte da propaganda turística da ilha indonésia de Bali, um éden que batalha contra a epidemia da contaminação de plástico.

A Indonésia é, com 3,2 bilhões de toneladas de resíduos de plástico, o segundo país do mundo com maior índice de contaminação pelo citado material, segundo um estudo de 2015 da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos. Entre as regiões indonésias mais contaminadas, destaca-se a ilha de Bali, com uma população total de 4,5 milhões de habitantes e que com cerca de mil toneladas de resíduos de plásticos diários supera Jacarta, capital do país, onde vivem cerca de 12 milhões de habitantes e que descarta 750 toneladas de plástico por dia.

O problema ecológico da ilha, que absorve 40% dos 15 milhões de visitantes estrangeiros do país, aumentou nos últimos anos perante a passividade dos políticos. Bali, que carece de uma política de tratamento e reciclagem de lixo, também vê o nível de poluição piorado pelo "comportamento consumista" dos visitantes, que geralmente consomem bebidas e comidas durante o trajeto, segundo especialistas conservacionistas.

"A Indonésia conta com políticas e leis (contra a poluição), mas, devido à corrupção, parece incapaz de atuar" declarou à Agência Efe Mike O'leary, diretor da fundação ROLE, com sede em Bali e que oferece programas de educação e capacitação para promover a sustentabilidade do meio ambiente.

Este grupo, cujo lema é "zero resíduos no oceano", organiza junto às comunidades locais campanhas de limpeza em algumas das praias mais afetadas pela contaminação do plástico. Bolsas, garrafas e recipientes de comida, entre outros muitos exemplos de desperdício de plástico, terminam lançados nas margens das estradas, trilhas, riachos e mangues até chegarem ao mar, onde milhares de animais marítimos morrem ao consumir os resíduos. O amontoamento de lixos agravou, além disso, as inundações da região e inclusive criou problemas sanitários nas áreas mais afetadas da ilha. Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, se seguir neste ritmo de poluição, é provável que em 2050 os oceanos do planeta contenham mais resíduos plásticos do que peixes, em termos de peso.

Um crescente número de hotéis, restaurantes, cafeterias e outros estabelecimentos luta para preservar a conhecida como "ilha dos deuses".

Uma iniciativa social liderada por um grupo de adolescentes, com o nome de "bye bye plastic bag" (adeus às bolsas de plástico), fez com que recentemente o governo de Bali se comprometesse a proibir as bolsas de plástico até 2018. Outras medidas governamentais, como impor impostos ao consumo de bolsas de plástico, são implementadas a conta-gotas no arquipélago, perante o ceticismo dos ecologistas.

"A Indonésia foi uma das fundadoras da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Quando falamos de regular o uso do plástico, para cuja fabricação é necessário muito petróleo, os interesses se chocam", ressaltou Kumala.




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