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02/06/2017

Trump anuncia saída dos EUA do Acordo de Paris


Exame

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país irá se retirar do acordo climático de Paris, seguindo o compromisso que fez durante sua campanha presidencial. A decisão foi anunciada pelo republicano durante coletiva nos jardins da Casa Branca nesta quinta-feira, 01.

“Para cumprir o meu dever solene de proteger a América e seus cidadãos, os Estados Unidos se retirarão do acordo climático de Paris”, declarou Trump em uma cerimônia na Casa Branca, quando criticou os encargos financeiros do acordo de Paris.

Mas ele acrescentou que iniciariam negociações para voltar a entrar no acordo de Paris ou em “um novo tratado em condições justas para os Estados Unidos, seus negócios, seus trabalhadores, seu povo e seus contribuintes”.

A decisão dos Estados Unidos aprofunda um atrito com aliados dos EUA e coloca o país ao lado de Síria e Nicarágua como as únicas nações do mundo a não participarem do acordo histórico de 195 países firmado em Paris em 2015.

A Comissão Europeia lamentou profundamente a saída dos EUA do acordo de Paris, dizendo que buscará novas alianças para combater a mudança climática. “A UE fortalecerá suas parcerias existentes e buscará novas alianças das maiores economias do mundo para os Estados insulares mais vulneráveis”, afirmou.

De acordo com cientistas, a saída dos EUA pode acelerar os efeitos da mudança climática global, provocando ondas de calor, enchentes, secas e tempestades violentas mais frequentes.

Durante a campanha presidencial de 2016 Trump repudiou o acordo, dizendo que custaria trilhões de dólares aos EUA sem nenhum benefício tangível.

Repercussão

O ex-presidente americano, Barack Obama, se manifestou sobre o recuo de Trump ainda durante seu discurso. De acordo com ele, “a administração Trump rejeita o futuro ao deixar o pacto”. Anne Hidalgo, prefeita de Paris (França), classificou o ato como “um erro de consequências dramáticas”.

O novo presidente da França, Emmanuel Macron, conversou com o presidente americano por telefone, dizendo que “nada poderia ser renegociado no acordo”. Segundo fontes presidenciais, Macron garantiu que os dois países continuarão trabalhando juntos, mas não mais sobre o tema climático.

A ministra do Meio Ambiente do Canadá, Catherine McKenna, diz estar “profundamente desapontada” com a decisão: “O acordo de Paris é um bom negócio para o Canadá e para o mundo. Não é um país que pode parar a ação contra a mudança climática.”

Para especialistas sobre o tema, a decisão é tão ruim para os cidadãos americanos quanto é para o resto do mundo.

O anúncio de Trump não foi surpresa para André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário e coordenador-geral do Observatório do Clima. Ele afirma que o presidente americano promoveu um ataque “sistemático à ciência do clima e aos compromissos americanos no Acordo de Paris desde que tomou posse”

Para Ferretti, isso afetará a competitividade da indústria americana. “Trump prometeu que colocaria a América em primeiro lugar, mas está expondo sua população aos impactos cada vez mais intensos da mudança do clima.”

Para o ex-presidente do México, Felipe Calderón, a administração Trump cometeu um grave erro. “Isso tornou mais difícil para os Estados Unidos aproveitarem a crescente economia de baixo carbono e seu potencial de geração de empregos. Também está indo contra a vontade do povo americano: 7 em cada 10 americanos apoiam o acordo.”

Acordo de Paris

O Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas impõe aos países signatários conter o aquecimento global em até 2º C em relação aos níveis pré-industriais, com o objetivo de não superar o 1,5º de aumento da temperatura mundial até 2100.

Já hoje as temperaturas médias são de 1º acima dos níveis pré-industriais, uma mudança climática ocorrida em larga parte nas últimas décadas. Com o acordo assinado em 2015 no final da Cúpula do Clima de Paris (COP 21), 195 países signatários se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa.