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18/09/2012

Projeto Onçafari completa um ano de preservação da onça-pintada


Tetra Pak

Embora possua a maior biodiversidade encontrada no planeta, o Brasil ainda está engatinhando na área de eco-turismo. A falta de estrutura e de projetos realmente sustentáveis levam os brasileiros a desistirem de conhecer o ecossistema do país e aventurarem-se em outras regiões “selvagens”, como o Polo Norte e a África. Além de apresentarem instalações luxuosas e confortáveis, estes locais triunfaram na habituação de animais selvagens, fazendo com que os mesmos já estejam acostumados com a presença de automóveis e humanos, facilitando o contato – mesmo que de uma distância segura – com estas belas e livres criaturas.

É com este espírito que nasce o Projeto Onçafari, com sede no Refúgio Ecológico Caiman (REC), no Pantanal. Muito mais complexo e abrangente que um simples safári no Pantanal, o Projeto Onçafari visa habituar felinos à presença de veículos que circulam durante os safáris promovidos no local. É também atribuição do Projeto, aumentar e preservar a fauna e a população de felinos na região, o que têm dado excelentes resultados graças a um trabalho árduo de pesquisas e análises da equipe do Onçafari. Este projeto abre, portanto, caminho para o desenvolvimento de uma nova técnica de conservação de animais no Brasil através do turismo de observação e do ecoturismo. Adaptando técnicas bem sucedidas em habituar animais selvagens na África do Sul, para serem observados em seu ambiente natural, O Projeto Onçafari replica esta experiência com a Onça Pintada, maior felino das Américas e animal símbolo do Onçafari.

A preservação da fauna local compreende animais muito além da onça, que ajudam a compor o ecossistema pantaneiro e apenas enriquecem a expedição e toda a experiência Onçafari, como jacarés, capivaras, ariranhas, macacos-prego, veados-campeiros, lobos-guará, cervos do pantanal, tatus, bichos-preguiça, tamanduás, lagartos, cágados, jabutis e cobras como a jiboia e a sucuri. Coloridos e falantes, os pássaros acabam realizando um espetáculo a parte, como tucanos, garças, papagaios, araras, emas, tuiuiús e gaviões. Para aqueles que não perdem uma boa oportunidade de pescar, o Pantanal oferece ainda mais diversidade, com peixes típicos como dourado, pintado, curimbatá, pacu e piranha, entre outros.

No topo da cadeia alimentar, a onça-pintada é o maior felino das Américas, cuja atual área de distribuição estende-se por toda a América Latina, incluindo todo o território brasileiro. Segundo o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Onça-Pintada, o animal encontra-se com status criticamente ameaçado na Floresta Atlântica e Caatinga, ameaçada no Cerrado, e vulnerável no Pantanal e Amazônia. Suas principais ameaças são a destruição constante de seus habitats (o que já levou há uma diminuição de 54% do ambiente original da espécie), a diminuição da base de presas e a caça em decorrência desses conflitos com o ser humano.

Esta é outra meta do Projeto Onçafari: desmistificar a imagem de predadora feroz da onça-pintada e fazer com que seja vista, do ponto de vista econômico, mais rentável viva do que morta, assim como leopardos e leões na África, mostrando que a espécie tem potencial para gerar renda através da Indústria de Observação de Animais. Essa prática, inclusive, é uma das maiores fontes de renda em vários países da África, e o crescimento do turismo sustentável no Pantanal compensará o eventual e pequeno prejuízo que a espécie venha causar com o abatimento de alguns animais de criação.