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14/04/2013

Projeto na Serra da Canastra promove a proteção do lobo-guará


Tetra Pak

O projeto Lobos da Canastra (“Biologia comportamental e conservação do lobo-guará Chrysocyon brachyurus no Cerrado do estado de Minas Gerais”) foi iniciado em janeiro de 2004, envolvendo 10 instituições lideradas pelo Instituto para Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros) e Centro Nacional de Predadores (CENAP-ICMBio). Inicialmente as pesquisas envolveram a espécie lobo-guará como modelo para promover a conservação da biodiversidade regional. Porém, o programa se expandiu de forma a tratar outras questões ambientais, relacionadas à sociedade e avaliando as relações dos produtores rurais com o meio ambiente. Um diferencial do projeto, desde o início, é a interdisciplinaridade, abrangendo temas diversos, porém relacionados, como comportamento, ecologia, saúde, genética e reprodução e educação.

Com relação ao comportamento e ecologia, por exemplo, foram obtidos dados de tamanho e sobreposição da área de vida e relação com o parentesco dos indivíduos, relação da disponibilidade alimentar com padrão de movimentação e dieta entre outros. O projeto já capturou na região 49 indivíduos em 283 eventos de captura, e obteve amostras de outros seis. Quarenta e dois animais foram equipados com radiotransmissores, quatro deles com transmissores GPS.

O projeto também monitora aspectos reprodutivos e do nível de estresse dos lobos tanto na área do parque como no seu entorno. Foram realizadas as primeiras coletas de amostras de sêmen de lobos-guarás em vida livre. Entre 2004 e 2007, foram verificadas cinco gestações de fêmeas monitoradas que deram cria a filhotes saudáveis. As amostras de sangue coletadas, analisadas pela concentração de corticóides, sugerem que os níveis de estresse podem ser maiores em áreas de fazenda quando comparadas ao interior do parque e suas imediações.

A troca entre o projeto e a comunidade é constante e também é expressa nos contatos dos pesquisadores com os fazendeiros durante os trabalhos de campo (capturas e localizações via rádio-telemetria dos lobos), durante os programas de vacinação de cães (atividade que atingiu 500 cães nas fazendas do entorno do parque, durante três anos), e em entrevistas que visavam conhecer em profundidade a natureza das relações entre os fazendeiros e os predadores naturais de suas criações domésticas, como é o caso do lobo-guará.

Ao todo o projeto já produziu duas publicações em revistas científicas (outras 11 estão em preparação), duas monografias de graduação e seis dissertações de mestrado, além de dois livros, cinco vídeos e duas cartilhas com enfoque na interação com as pessoas da região.