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06/10/2013

Poluição do ar mata mais que acidentes de trânsito em SP


Planeta Sustentável

Quando o assunto é a poluição atmosférica, São Paulo não é o estado do Brasil em pior condição, mas está longe de ser o melhor e perde cada vez mais pessoas para esse inimigo (cada vez menos) invisível. Esta é a principal conclusão do estudo Avaliação do Impacto da Poluição Atmosférica sob a Visão de Saúde no Estado de São Paulo, realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade.

A pesquisa, que analisou dados de milhares de publicações divulgadas desde a década de 1990, concluiu que a poluição está matando mais do que os acidentes de trânsito em São Paulo. Em 2011, por exemplo, a má qualidade do ar matou cerca de 17,4 mil pessoas no Estado, o que representa o dobro do número de óbitos por acidentes de trânsito.

Na capital paulista, a situação é ainda pior: cerca de 4,6 mil cidadãos morreram por culpa da poluição atmosférica em 2011. Trata-se do triplo de pessoas mortas em acidentes de trânsito, no mesmo período. "Ainda assim, a capital não é a cidade em pior condição. Os municípios que registram maior risco de morte por poluição são, respectivamente, Cubatão, Osasco, Araçatuba e São José do Rio Preto", revelou a médica Evangelina Vormittag, diretora executiva do Instituto Saúde e Sustentabilidade e coordenadora da pesquisa.

Segundo ela, entre 2006 e 2011, aproximadamente 99 mil pessoas perderam a vida, em São Paulo, por culpa da poluição. "Seria praticamente o mesmo que dizimarmos uma cidade de 100 mil habitantes, como Santana de Parnaíba, em seis anos", comparou Vormittag.

As internações por conta da má qualidade do ar também foram significativas. Em 2011, cerca de 68,5 mil cidadãos deram entrada nos hospitais do estado de São Paulo com problemas atribuídos à poluição. Juntas, as internações e mortes custaram mais de R$ 246 milhões ao sistema público e privado de saúde. "Na capital paulista, apenas os pacientes internados em 2011 por conta da má qualidade do ar geraram gastos de R$ 31 milhões, o que representa 0,51% do orçamento da cidade", contou Vormittag.

Até mesmo as pessoas que ainda não apresentaram nenhum problema devido à inalação de poluição atmosférica já estão sendo impactadas. Segundo o estudo, em São Paulo, a má qualidade do ar diminui a expectativa de vida em 1,5 ano. "Trata-se de um problema que atinge a todos: crianças, gestantes, doentes, idosos... E que não se resolve com vacina ou antibiótico. O remédio para a poluição são políticas públicas integradas, que levem o ser humano em conta em setores como transporte, energia, lixo e agricultura", defendeu Paulo Saldiva, professor titular da Faculdade de Medicina da USP e orientador da pesquisa.

A intenção dos especialistas é que o novo estudo ajude a subsidiar medidas de combate à poluição atmosférica e, também, de melhoria na medição da qualidade do ar. "Há uma tendência mundial de que quanto maior o conhecimento sobre o assunto, menores são os índices de poluição dos países. No entanto, o Brasil é um dos poucos que não acompanha esse movimento. Apesar de termos conhecimento, possuímos poucas políticas públicas sobre o tema e padrões de medição muito antigos. Esperamos que isso mude daqui para a frente", concluiu Vormittag.