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18/10/2013

ONU nomeia brasileiro para painel sobre clima


Gazeta do Povo

A Organização das Nações Unidas (ONU) quer fortalecer a ponte entre conhecimento científico e política ambiental para evitar falhas como a de 2009, quando a conferência de Copenhague fracassou em produzir um acordo para frear a mudança climática.

Segundo o paulista Car­­los Nobre, cientista que acaba de ser nomeado para o Pai­­nel de Alto Nível para Sustentabilidade Global, essa será uma das principais missões da organização nos próximos dois anos.

Nobre, secretário de políticas e programas de pesquisa do Ministério da Ciência, passa a integrar o conselho – que assessora diretamente o secretário-geral Ban Ki-moon – meses antes da conclusão do 5.º Relatório de Avaliação do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática), o principal documento científico sobre o aquecimento global. Convenientemente, seu mandato dura até a realização da conferência do clima de 2015, próxima janela de oportunidade para selar um acordo global sobre clima.

Esse período de tempo é análogo àquele que precedeu o fracasso de Copenhague, algo que surpreendeu muitos climatologistas, pois o quarto relatório do IPCC havia sido categórico ao culpar a emissão de gases-estufa pelo aquecimento global. Segundo Nobre, é hora de pensar o que deu errado para evitar uma segunda decepção, e o painel de alto nível – que possui outros 25 cientistas – vai debater isso.

“O aprendizado de Copenhague é muito profundo e reflete em todas as maneiras de buscar soluções, consensos e avanços”, diz Nobre. “O painel de alto-nível foi criado um pouco em função daquilo que aconteceu lá.”

O IPCC está afirmando novamente que o aquecimento global é “inequívoco” e vai refinar a estimativa de quanto o planeta precisa cortar em emissões para evitar um aquecimento global “perigoso”. “O novo relatório está mostrando que não existe salvação que não passe por uma enorme redução das emissões”, diz Nobre.