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15/12/2015

Na plenária final da COP21, brasileira faz discurso inédito em nome da juventude


Portal EcoD
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Depois de duas semanas de negociação, a Conferência do Clima de Paris (COP21) aprovou no sábado, 12 de dezembro, o Acordo de Paris, o primeiro tratado internacional sobre clima de caráter universal, no qual todos os seus signatários possuirão compromissos de redução de emissões a partir de 2020, em um esforço concertado para limitar o aquecimento global bem abaixo dos 2 graus Celsius neste século, preferencialmente em 1,5 grau Celsius.

Na plenária final da COP21, como de costume, organizações observadoras tiveram uma breve oportunidade para se pronunciar oficialmente. O Youth Climate Movement (Youngo), que reúne as organizações da juventude em todo o mundo na questão climática, escolheu como sua representante neste momento conclusivo a coordenadora-geral Raquel Rosenberg. Esta foi a primeira vez que uma jovem brasileira teve a oportunidade de pronunciar discurso como representante da juventude global numa plenária final de COP.

Em seu discurso, Raquel Rosenberg deixou claro que, mesmo com o novo acordo aprovado, o trabalho não pode parar e a juventude continuará se esforçando para pressionar os governos em torno de ações mais ambiciosas na luta contra as mudanças do clima.

Abaixo o discurso (traduzido para o português) feito na plenária final da Conferência do Clima de Paris na manhã de domingo (13):

“Obrigada, Sr. Presidente. Meu nome é Raquel, eu sou do Brasil. Estou aqui representando o Engajamundo e a coalizão de ONGs da juventude, mas ecoando a voz de milhões mais.

Hoje estamos dando um primeiro passo na história. Vocês nos mostraram que juntos podemos supercar diferenças e nos deram esperança na humanidade e na solidariedade. Esse é o primeiro passo em direção ao fim da era dos combustíveis fósseis e do desmatamento. Esse é o primeiro passo em direção a um novo tipo de sociedade.

Em 92, vocês foram juntos ao meu país em um espírito de cooperação. Vocês aceitaram que vocês dos países desenvolvidos tinham mais responsabilidade que outros em causar as mudanças climáticas e que vocês também deviam compensar os mais afetados.

Com o passar dos anos, este processo tornou-se mais secreto. A sociedade civil foi mantida fora das salas e começamos a nos perguntar – o que vocês têm pra esconder? Agora nós sabemos.

Países ricos, vocês poderiam ter feito muito mais. Vocês não ofereceram nenhum financiamento novo ou adicional. Nós não vimos uma meta para chegar realmente a zero. Suas metas nacionais de redução de emissões (iNDCs) ainda nos levam a um mundo 3 graus mais quente e vocês se recusaram a empreender uma revisão que permitisse desviar para baixo a trajetória da curva de aquecimento antes de 2020. Vocês se eximiram da responsabilidade pelos danos que as suas mudanças climáticas já estão causando.

A juventude das gerações anteriores à minha foram as primeiras a saber da existência das mudanças climáticas e entenderem os desafios que nós como humanidade enfrentamos. Na minha geração, a mudança do clima foi da ciência à realidade, impactando diretamente a vida das pessoas, especialmente os mais pobres e marginalizados. Hoje, o mundo está finalmente caminhando para uma solução. Mas o que atingimos aqui hoje ainda está bem longe de suficiente, nós precisamos ver ações reais!

O trabalho está apenas começando. Nos vemos de novo em nossos países, todos vocês. Vamos trabalhar duro pela justiça climática como jamais fizemos e vamos cobrar vocês dentro de suas fronteiras. Vocês fizeram um pedaço de papel, mas as pessoas nas comunidades são as que estão fazendo a verdadeira mudança.

A minha meta e a de milhões de outros jovens é garantir que as próximas gerações só conheçam as mudanças climáticas em livros de história.

Nós podemos fazer isso. Nós vamos ascender mais rápido do que os oceanos, porque nós somos imparáveis, outro mundo é possível.”

Assista ao vídeo do discurso (legendado para o português) aqui.