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09/11/2013

Mega biodiversa, Amazônia tem paisagem homogênea


Estadão

A floresta mais biodiversa do mundo apresenta uma paisagem homogênea. É o que descobriu uma força-tarefa que reuniu mais de cem pesquisadores em torno de algumas perguntas aparentemente simples, mas que até então não tinham resposta: Quantas árvores existem na Amazônia? De que espécies? E quais são as mais comuns?

A partir da contagem de indivíduo por indivíduo em 1.170 áreas espalhados por toda a floresta, os cientistas estimaram que nos 6 milhões de km² da bacia ocorrem cerca de 390 bilhões de árvores, de aproximadamente 16 mil diferentes espécies. O número que mais surpreendeu, porém, foi o da última pergunta. Somente 227 espécies respondem por metade de todas as árvores do bioma.

O trabalho, divulgado na revista americana Science, mostra que o todo da vegetação se segura nesse conjunto muito pequeno de espécies, só 1,4% do total, quantidade menor do que a flora de árvores norte-americana.

“Isso nos surpreendeu. Em qualquer ecossistema, poucas espécies são comuns e muitas são raras. Mas não esperávamos que fosse um número tão pequeno. Imaginávamos que algo entre 5% a 10% das espécies seriam dominantes”, disse Hans ter Steege, da Universidade de Utrecht (Holanda), líder do trabalho.

“Mas isso não muda o fato de que a Amazônia é a mais rica área florestal no mundo. Só nos mostra que a distribuição de indivíduos dentro das espécies é um pouco diferente do que imaginávamos”, complementa.

O estudo apontou que entre as mais comuns – ou hiperdominantes, como apelidaram os pesquisadores – estão espécies bastante simbólicas do Brasil, como a castanha do Pará, o cacau, a seringueira. A palmeira do açaí (Euterpe precatoria) é a campeã, com 5,21 bilhões de indivíduos. Não à toa, são justamente as árvores cultivadas há milênios pelas populações locais e que até hoje tem amplo uso econômico. Esse aproveitamento, sugerem os pesquisadores, pode ser um dos motivos para elas terem se espalhado tanto.

Essa hiperdominância, porém, não ocorre do mesmo modo em toda a Amazônia. Ela se dá de acordo com a afinidade com os cinco tipos florestais que ocorrem dentro do bioma – terra firme, várzea, floresta de areia branca, pântanos e igapó – e com a região. Somente uma das espécies foi observada nas seis regiões estudadas (a Eschweilera coriacea, conhecida popularmente como matamatá) e nenhuma delas ocorre nos cinco tipos de floresta.

A maior parte das espécies, por outro lado, ocorre de modo muito restrito e endêmico. Sendo que mais de um terço das espécies (36%, ou 5.800) são extremamente raras, com populações com menos de mil indivíduos. De acordo com os autores, essa ocorrência tão irrisória é suficiente para dizer que essas espécies estão globalmente ameaçadas. Juntas elas respondem por somente 0,0003% de todas as árvores da Amazônia.