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07/11/2013

Energia renovável pode crescer 47% no Brasil até o ano de 2050


IG

O Brasil tem potencial para chegar a 2050 com uma matriz energética com 66,5% de participação de fontes renováveis, como vento, sol e biomassa - presença 47% maior do que a observada hoje. A estimativa foi feita pela ONG ambiental Greenpeace, que divulgou o relatório Revolução Energética. A análise considera pela primeira vez o uso de energia como um todo, para os setores elétrico, de transportes e industrial. Se for isolada a matriz elétrica, a participação de renováveis, de acordo com o estudo, pode chegar a 92%.

Trabalhando com projeções de crescimento da economia e da população, o estudo calcula quanto deve ser a demanda de energia do País para daqui a 40 anos e a participação que cada tipo de fonte pode ter na matriz - com base no seu potencial, na sua viabilidade econômica e na forma como o mercado tem se movimentado, independentemente de ações do governo.

A ideia é não só reduzir a participação dos combustíveis fósseis, mas também das hidrelétricas, que hoje respondem por 88,8% da matriz elétrica, segundo dados de 2012 da Empresa de Pesquisa Energética.

Essa porcentagem deixa o Brasil na confortável posição de ter a produção de energia mais limpa do mundo, mas deixa aberta uma brecha para que o País recorra às termelétricas - fontes sujas, que emitem grande quantidade de gases de efeito estufa - quando há um forte período de seca que reduz o volume de água nos reservatórios. A cada ano, o País vem ligando as termelétricas por mais tempo, chegando, neste ano, por exemplo, a um custo com elas 50% superior ao previsto.

Se o modelo brasileiro seguir no ritmo atual, as hidrelétricas responderiam por 54,4%; as termelétricas a gás natural por 23%, as eólicas por 7,6% e a solar não chegaria a 2%. Aproveitando melhor o potencial para as renováveis, a participação das hidrelétricas poderia cair para 39,6%; a das eólicas subir para 21,1%; a da solar para 23% e a das térmicas cair para 6,5%.

O estudo calcula que, mesmo sendo necessário um investimento inicial de R$ 690 bilhões a mais do que o governo já vinha planejando gastar com energia para atingir esse cenário, ele pode render uma economia de R$ 1,11 trilhão até 2050.