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16/06/2010

Embalagens impulsionam Certificação FSC no Brasil


WWF Brasil

A marca do Conselho de Manejo Florestal (FSC), até alguns anos pouco conhecida no país, já faz parte da vida de milhões de brasileiros. Atualmente, é comum observar o selo FSC em embalagens de suco e leite, contas de telefone, publicações, extratos bancários e faturas de cartão de crédito.

A Tetra Pak, maior fabricante de embalagens do mundo, com duas fábricas e 1.200 funcionários no Brasil, anuncia que, em 2010, metade da produção brasileira da empresa terá o selo FSC. "São 5 bilhões de embalagens que chegarão aos lares com a marca da principal certificação do planeta", afirma Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da empresa.

O executivo destaca ainda que, até 2014, 100% das embalagens fabricadas pela Tetra Pak no Brasil - ou seja, 10 bilhões de unidades - terão a chancela do Conselho de Manejo Florestal. Empresas como Coca-Cola, Unilever, Pão de Açúcar, Carrefour, Walmart e Pepsico já aderiram à certificação em embalagens de lácteos, sucos e outros produtos.

A certificação FSC assegura que o processo produtivo certificado utiliza insumos em conformidade com critérios ambientais e sociais, seguindo condicionantes de sustentabilidade, e obedecendo às legislações trabalhista e fiscal.

Fernando Von Zuben acrescenta que, por uma política de sustentabilidade da empresa, os custos adicionais de uma embalagem certificada não são repassados para os clientes. "Não cobramos nada a mais das empresas por isso, nosso objetivo é aplicar, de fato, os conceitos de sustentabilidade", disse. A Tetra Pak investe anualmente, no Brasil, R$ 7 milhões em ações voltadas para a sustentabilidade socioambiental.

Conservação e inclusão social

"O cliente que compra um produto que leva o carimbo do FSC pode ter a certeza de estar contribuindo para a conservação do meio ambiente e para a inclusão social de milhares de comunidades, que recebem um preço justo por sua produção", avalia Mauro Armelin, coordenador do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável do WWF-Brasil.

Dados do Imaflora - certificadora independente credenciada pelo FSC - dão conta de que, no Brasil, a certificação por cadeia de custódia, que atesta a sustentabilidade socioambiental de toda a cadeia produtiva, cresceu 28% no ano de 2009, em comparação com o ano anterior.

"Os setores gráfico, de embalagens e de tissues [lenços de papel e similares] são os principais responsáveis por esse crescimento", informa Luciana Papp, coordenadora de certificação do Imaflora. Luciana Papp destaca que, nos últimos anos, a quantidade de áreas certificadas na Amazônia ficou estagnada, principalmente por questões ligadas à demora no licenciamento de projetos e a indefinições por parte do poder público. "Esperamos que, a partir do ano que vem, as áreas certificadas voltem a crescer com as concessões de florestas públicas para a atividade madeireira sustentável", salienta a coordenadora.

Mauro Armelin, do WWF-Brasil, também demonstra otimismo em relação ao potencial de crescimento das áreas certificadas na Amazônia. "Depois de três anos arrumando a casa, tudo indica que o Serviço Florestal Brasileiro terá condições de implementar de forma efetiva as concessões. A expectativa é que sejam licitados 400 mil hectares ainda em 2010", relata.

De acordo com a lei de concessões de florestas públicas, comunidades e empresas poderão explorar, de forma sustentável, áreas de florestas públicas. A ideia é que, com o modelo, criem-se condições de geração de emprego e renda aliada à conservação das florestas.

No Brasil, atualmente, cerca de 5 milhões de hectares contam com a certificação FSC. O percentual é baixo, especialmente considerando-se a extensão de áreas florestais no país e levando-se em conta o fato de, no mundo, haver 130 milhões de hectares certificados.