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14/12/2013

Corredores ecológicos preservam espécies em área de 10 mil km²


G1

Desde 2010, por meio de decretos, o Governo de Santa Catarina está implementando dois Corredores Ecológicos nas Bacias Hidrográficas dos rios Chapecó e Timbó, no Oeste do estado. A área, que soma 10 mil km² em 34 municípios, corresponde a 10,7% da área do território catarinense.

Segundo informações disponibilizadas pela Fundação do Meio Ambiente, a Fatma, o Corredor Ecológico é uma área com remanescentes de vegetação nativa. O objetivo destes ambientes é unir a conservação da natureza ao desenvolvimento local e regional, integrando o desenvolvimento econômico à conservação da biodiversidade. O diferencial do projeto é que, para ser criado, não é necessário desapropriar terras privadas, nem transformá-las em Unidades de Conservação, já que a participação dos produtores rurais é voluntária.

O Corredor Ecológico de Timbó foi criado pelo Decreto Estadual nº 2.956/2010. Localizado no Planalto Norte, protege remanescentes de Floresta de Araucária e Campos de Altitude, possui 4.900 km² e abrange os municípios Bela Vista do Toldo, Caçador, Calmon, Canoinhas, Irineópolis, Lebon Régis, Major Vieira, Matos Costa, Porto União, Santa Cecília e Timbó Grande.

Já o de Chapecó foi criado pelo Decreto Estadual nº 2.957/2010, possui 5 mil km² e abrange os municípios de Abelardo Luz, Água Doce, Bom Jesus, Coronel Martins, Entre Rios, Faxinal dos Guedes, Galvão, Ipuaçu, Jupiá, Lajeado Grande, Macieira, Marema, Novo Horizonte, Ouro Verde, Passos Maia, Ponte Serrada, Quilombo, Santiago do Sul, São Domingos, São Lourenço do Oeste, Vargeão, Vargem Bonita e Xanxerê.

Segundo informações da Fatma, a área protege a Floresta de Araucária, a de Campos de Altitude e a de Floresta Estacional Decidual, conhecida como Mata do Alto Rio Uruguai. Entre as atividades econômicas da região destacam-se o cultivo de soja, a pecuária de corte e a produção de madeira.

De acordo com informações do projeto, em uma área pertencente a um produtor rural que faça parte de um Corredor Ecológico, é possível manter a produção de leite e de gado de corte juntamente com árvores nativas. Com essa medida, o produtor ganha em produção, porque o gado em pasto sombreado produz mais leite, e ainda mantém refúgios para animais silvestres. É possível também manter sistemas agroflorestais, como o cultivo de erva-mate, por exemplo, em meio às árvores nativas.

Para motivar os produtores a participar do projeto, foi desenvolvido um Plano de Gestão, que propõe a criação de um Sistema de Créditos de Conservação para remunerar produtores rurais que mantêm florestas nativas em suas propriedades ou que se dispõem a recuperar áreas degradadas. Este sistema inclui a formação de um Cadastro de Áreas para Créditos de Conservação. Para isso, o proprietário poderá receber um valor negociável em dinheiro para manter a área.

Na prática, segundo a Fatma, as áreas preservadas fornecem uma série de serviços ambientais como o controle de pragas, enchentes e erosão; a polinização; a manutenção da qualidade do ar, da água e o regime de chuvas. Além da produção rural, uma das propostas também é integrar os produtores no desenvolvimento do ecoturismo na região.