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18/03/2014

Conhecer para conservar: transformando usuários em aliados

Tetra Pak
EcoLab

O conceito "conhecer para conservar" está ligado, desde os primórdios, às estratégias de preservação da natureza. Mesmo hoje, turismo ecológico e conservação são dois conceitos intrinsicamente entrelaçados. No Brasil, por exemplo, a definição oficialmente aceita de ecoturismo, de acordo com a EMBRATUR, é: "segmento de atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas".

Ou seja, o ecoturismo não é só um negócio que visa o lucro, mediante a venda de pacotes de viagens na natureza. Ecoturismo é, sobretudo, uma ferramenta de conservação. Nesse sentido, os Parques (nacionais, estaduais ou naturais municipais) são os herdeiros dos Parques urbanos, destinados prioritariamente à visitação e à recreação. Neles, não estamos apenas preservando a biodiversidade. Estamos, acima de tudo, formando na cidadania uma consciência ambientalista, sem a qual as Unidades de Conservação jamais conseguirão sobreviver. Em um país democrático e com uma população 85% urbana não é sensato esperar que as instituições responsáveis por zelar pela natureza recebam orçamento e estrutura suficientes para se manterem, se os eleitores assim não entenderem que isso é importante. É sobretudo o sufrágio urbano que precisa ser conquistado. O ecoturismo é a principal ferramenta que dispomos para conquistar esse voto.

É responsabilidade dos órgãos encarregados pela administração e manejo de Unidades de Conservação, criar as condições para que os Parques possam receber turistas. Trata-se de um trabalho que começa no processo de criação de uma área protegida. Considerando-se o princípio "conhecer para conservar", já consagrado há mais de um século, e a definição oficial de ecoturismo, cabe aos órgãos ambientais buscar criar Parques onde seja possível maximizar "a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas".

A própria União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), principal ONG ambientalista no mundo, já vaticinou que "a luta pela conservação da Amazônia não será vencida nas profundezas da floresta amazônica. Essa luta só pode ser ganha no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Brasília e nas outras grandes metrópoles brasileiras. É nas cidades populosas que as notícias são escritas e televisadas, é ali que vivem e pregam os formadores de opinião, é a partir delas que novas formas de pensar e de agir são propagadas para o resto do país. Por isso mesmo, os Parques próximos aos grandes centros precisam, imperiosamente, estarem estruturados para receber e acolher seu vizinho, o habitante citadino. Mais do que isso, essas Unidades de Conservação precisam estar um passo à frente, pois têm a responsabilidade de serem formadoras de opinião, que catequizarão seus ecoturistas, transformando-os em defensores permanentes da causa ambiental".