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07/11/2012

Universidades brasileiras sobem em ranking mundial

Tetra Pak
planetasustentavel.abril.com.br

Uma das principais fontes do orgulho nacional americano é o alto padrão de suas universidades. Trata-se de uma devoção antiga. Dezesseis anos após chegar à região de Boston, na Costa Leste dos Estados Unidos, colonos ingleses criaram o embrião da primeira universidade do país. Com doações, inclusive dos livros da biblioteca pessoal do pastor John Harvard, a instituição começou a funcionar em 1636 - depois adotaria o nome do padrinho. A semente germinou, e hoje nenhum país tem tantas escolas superiores de qualidade quanto os Estados Unidos. São americanas sete das dez melhores no ranking mundial. Essa proliferação foi fundamental para o sucesso da economia americana, a mais produtiva e inovadora no mundo, mesmo com a crise atual.

Hoje, o conhecimento produzido em áreas como Boston, onde há mais de 100 instituições de ensino superior - entre elas, além de Harvard, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) -, é ainda mais importante do que há 380 anos. "Ter universidades de excelência é a chave para o sucesso a longo prazo na economia baseada no conhecimento", diz Philip Altbach, diretor do Centro Internacional de Ensino Superior da Universidade Boston College. O Brasil somente em 1808 iniciou o ensino de medicina e demorou mais 100 anos para formar a primeira universidade: a atual Federal do Rio de Janeiro, criada em 1920. O resultado do descaso histórico é que hoje o país tem apenas uma universidade entre as 200 melhores do mundo. Felizmente, essa instituição, a Universidade de São Paulo, parece ter iniciado uma escalada para galgar posições mais elevadas, como mostra seu desempenho nos mais recentes rankings globais. Falta ao Brasil que esse exemplo seja multiplicado. "Embora os rankings não mensurem precisamente as conquistas da educação superior brasileira, eles são importantes porque impulsionam o país a assumir mais seriamente um papel nesse campo", diz Altbach. De acordo com ele, no cenário brasileiro, a Universidade de Campinas é o único outro exemplo de instituição que está buscando um status internacional com maior produtividade acadêmica.

A USP subiu 74 posições nos últimos dois anos e aparece agora em 158º lugar no Times Higher Education (THE), o mais respeitado dos rankings globais. É a única latino-americana entre as 200 da lista. "A USP é uma estrela ascendente na educação superior mundial", diz Phil Baty, editor do THE. "Ela tem núcleos de excelência, em particular na área de biomédicas, na qual sua produção de pesquisa é de classe mundial." Há quem discuta as metodologias usadas para fazer os rankings, mas o fato é que eles servem de termômetro para a qualidade do ensino. E a USP tem melhorado suas colocações em todos eles. "As posições que alcançamos nos rankings mostram que as políticas adotadas recentemente estão dando certo", diz João Grandino Rodas, reitor da USP há dois anos.

O principal motivo da arrancada é o aumento do investimento em pesquisa, contrariando a tradição limitada do Brasil na produção científica. O desempenho nesse critério levou nota 6,5 do THE, numa escala que vai de zero a 10. O número de trabalhos dobrou em sete anos. Para reforçar a área, em 2010 a reitoria criou um novo programa de apoio à pesquisa. Desde então, 146 milhões de reais foram investidos em 118 projetos. "Esse reforço, que sai de nosso próprio orçamento, permite um salto na produção científica", diz Marco Antônio Zago, pró-reitor de pesquisa. O segundo critério do ranking é o ambiente de ensino. O indicador, com nota 6,3, avalia a reputação dos professores. A USP tem tradição na formação de docentes. É a instituição que mais forma doutores no mundo, uma média de 2200 por ano, segundo o Centro de Universidades de Classe Mundial de Xangai.