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27/07/2016

Tecnologia educacional transformadora só vem acompanhada de formação

Claudio Sassaki
Nova Escola

Quem procura inovar na Educação nunca estará completamente pronto. Hoje, você pode levar tablets para sua escola e amanhã, óculos de realidade virtual. Mas e, depois disso? Qual será a próxima novidade? Por essa razão, o Bett Brasil Educar 2016, maior evento em tecnologia educacional da América Latina, veio com uma mensagem muito forte sobre a importância da formação dos professores para o uso das ferramentas digitais.

Nós, educadores, estamos sempre nos atualizando, buscando formas mais eficientes ou envolventes de ensinar e aprender. Isso não implica aceitar qualquer ferramenta em nome de ser moderno. Escolher aquelas que mais atendem às demandas da sua escola é um processo que requer tempo e pesquisa, principalmente com o boom de tecnologia educacional. “É preciso conhecer tecnologia até para dizer não a ela”, disse Ligia Leite, ex-vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT), em sua palestra no evento. “Sem essa competência, o professor acaba tendo que aceitar tudo o que lhe é empurrado”.

Basta ver como os materiais didáticos analógicos estão perdendo popularidade quando comparamos com os materiais didáticos feitos exclusivamente para o meio virtual, que estão em pleno crescimento desde 2012. Um exemplo é o aumento de 70% na oferta do ensino à distância entre 2005 e 2015, de acordo com a Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed).

Chegamos em um momento em que a tecnologia não pode mais ser ignorada pelas escolas. Para Maria Elizabeth de Almeida, educadora e pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), “o maior desafio, depois de superadas as dificuldades de infraestrutura, é que os educadores compreendam o potencial pedagógico da tecnologia”. Por isso, Paulo Blikstein, professor da Escola de Educação e do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Stanford, defende que para cada dólar investido em tecnologia educacional, outros nove deveriam ser investidos em treinamento.

Isso vai de acordo com o que dizem todas as pesquisas realizadas recentemente: para melhorar índices educacionais, é preciso investir no professor. De acordo com a pesquisa The Long-Term Impacts of Teachers (O Impacto dos Professores a Longo Prazo, em tradução livre), realizada pelas universidades Columbia e Harvard, nos Estados Unidos, os estudantes que tiveram ótimos docentes chegam a ganhar R$ 90 mil a mais ao longo da carreira.

Precisamos, portanto, de educadores preparados para encarar as mudanças trazidas pelo século 21 e que já começaram a mexer com os alicerces da escola. E essa necessária “alfabetização tecnológica”, segundo Lígia Leite, só acontecerá com uma parceria que envolva políticas públicas efetivas, infraestrutura acessível de qualidade e instituições de ensino que apostem na capacitação da equipe.