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22/11/2013

Reprovar alunos não melhora ensino, afirmam educadores


Folha de São Paulo

As mudanças anunciadas pelo governo estadual dividiram as opiniões tanto de pesquisadores quanto dos sindicatos da categoria.

Para os críticos, a medida pode até piorar a situação na educação, pois a retenção eleva o risco de o estudante desistir da escola, apontam estudos na área.

Os apoiadores dizem que a possibilidade de reprovação faz com que estudantes se envolvam mais nos estudos.

Cético em relação à mudança, o pesquisador Ocimar Alavarse, da USP, afirmou que "as evidências não mostram que reprovar aluno alavanca a aprendizagem".

Secretária de Educação no governo Covas (PSDB) --responsável pela implementação da progressão continuada no Estado --Rose Neubauer também criticou a mudança. "Nenhum país usa reprovação como forma de melhorar ensino." Ela reclamou principalmente da possibilidade de retenção na 3ª série.

"O primeiro ciclo é justamente o que tem tido melhores resultados", afirmou ela, que segue com pesquisas na área de educação.

Em nota, a Apeoesp (sindicato dos professores, ligado à CUT), disse que "não será com medidas como a anunciada que resolveremos o problema da qualidade do ensino".

Já a Udemo (sindicato dos diretores de escola, não ligado a centrais sindicais) entendeu ser positiva a mudança.

"O avanço não é a reprovação em si. Mas só a possibilidade de que isso ocorra faz com que o estudante fique cauteloso", disse o presidente do sindicato, Chico Poli.

A gerente da área técnica da ONG Todos pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, também afirmou que são positivas as alterações apresentadas pelo governo.

Ela defendeu especialmente a formação de um ciclo inicial com três séries --atualmente, são cinco séries.

"Essa é uma tendência no país todo, sugerida inclusive pelo Pnaic [programa do governo federal para melhoria da alfabetização dos estudantes]", afirmou Alejandra.

Ela afirmou, porém, que as alterações só terão efeito positivo se houver formação específica dos professores que atuam na recuperação dos alunos. "Ensinar a mesma coisa duas vezes, da mesma forma, tende a não ser eficiente."