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27/08/2014

Pesquisadores lançam livro infantil sobre arqueologia

Tetra Pak
Com Ciência

O livro infantil “Arqueologia, uma atividade muito divertida”, de autoria da historiadora e professora Raquel dos Santos Funari e idealizado pelo Laboratório de Arqueologia Pública Paulo Duarte (LAP-Unicamp) em parceria com pesquisadores do Labjor, será lançado no próximo mês e trará, de forma original e com ilustrações, conceitos da ciência arqueológica e as metodologias de pesquisa da área.

Com tiragem de 1500 exemplares, o livro será distribuído gratuitamente para alunos do 6º ano de escolas públicas dos municípios de Campinas (SP), Alfenas (MG) e Pelotas (RS) em oficinas de arqueologia que acompanham a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia que será realizada no mês de outubro em todo o país.

A intenção é fazer chegar aos estudantes informações sobre essa área de estudos para que compreendam as dinâmicas de busca e interpretação dos vestígios materiais de diferentes populações. Segundo uma das idealizadoras do projeto, a jornalista e mestre em Divulgação Científica Glória Tega, o livro tem por objetivo difundir o tema inicialmente para o público infantil, mas também pretende despertar a curiosidade dos adultos. “A arqueologia é pouco difundida no Brasil e não só as crianças a confundem com paleontologia e antropologia", aponta.

Embora a divulgação sobre arqueologia seja pouco explorada, há grande curiosidade pelo assunto, e o livro pretende preencher essa lacuna trazendo o contexto brasileiro de pesquisa e atuação profissional, explicando desde o trabalho de campo, passando pelos laboratórios e chegando aos museus. Tratará também sobre a formação em arqueologia, áreas de pesquisa e suas diversas implicações, como o estudo de pinturas rupestres, peças cerâmicas e de tecnologias líticas, além de abordagens específicas como a arqueologia subaquática e histórica.

No Brasil, as iniciativas que buscam aproximar crianças da profissão de arqueólogo concentram-se em programações de museus, como o Museu de Arqueologia e Paleontologia de Araraquara e o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, que realizam periodicamente cursos para professores utilizarem kits pedagógicos de objetos arqueológicos e etnográficos. Outras iniciativas vêm de contrapartidas de ações de licenciamento financiadas por empresas envolvidas em construções e interferências em terrenos onde são encontrados patrimônios arqueológicos. Essas ações são garantidas por portarias que estabelecem a obrigatoriedade de realização de Programas de Educação Patrimonial em todas as etapas do licenciamento, envolvendo ações de divulgação, inclusão e socialização do patrimônio arqueológico.

Os autores dizem que informações sobre arqueologia também estão disponíveis na internet, mas pulverizadas em sites e, em geral, com linguagem pouco apropriada para crianças. Assim, a proposta é oferecer um livro que concentre textos tanto sobre conceitos quanto a respeito da formação profissional e aplicação da ciência, propiciando o acesso qualificado de estudantes ao conhecimento.