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15/01/2014

O poder das boas ideias


Planeta Sustentável

Quando assumiu o 1º ano da Escola Municipal Adirce Cenedeze Caveanha, em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, a professora Elisangela Carolina Luciano descobriu que apenas três dos 23 alunos da turma tinham um desempenho em leitura e escrita compatível com a idade. Tomou um susto: como seguir adiante e promover na classe inteira o desenvolvimento esperado? Elisangela, no entanto, não se intimidou diante da dificuldade.

Àquela altura, já sabia que aproximar o conteúdo a ser ensinado do cotidiano das crianças despertava o interesse, envolvia e estimulava o aprendizado. Acostumada a bolar atividades que davam conta desse recado, viu no sacolão do bairro um campo ideal para incentivar a garotada a realizar uma prática que favorecesse a alfabetização: fazer listas de palavras – naquele caso, com frutas e legumes.

Levou, então, os pequenos até o hortifrúti da vizinhança e pediu que observassem as mercadorias, copiassem o nome e o preço dos alimentos anunciados em placas e cartazes, pesquisassem a grafia correta e as informações nutricionais de cada um e trocassem ideias. Quem sabia mais ajudava quem não tinha aprendido tanto. Funcionou: ao final de três meses, o grupo inteiro havia evoluído no processo de alfabetização e atingido as metas estipuladas por ela.

O resultado do bem-sucedido trabalho rendeu a Elisangela o Prêmio Educador do Ano 2013, uma distinção no grupo dos dez professores que receberam, no mês passado, troféus concedidos anualmente pela Fundação Victor Civita a projetos de ensino que se destacam no país.

No percurso até ali, ela já tinha enfrentado a concorrência de mais de 3,5 mil inscritos. “É papel do professor encontrar maneiras de instigar seus alunos para que nunca percam o interesse pelos estudos”, decreta. “E uma maneira de fazer isso é inserir o lúdico no processo de aprendizado.”

Hoje com 36 anos, mãe de uma menina de 7, a educadora premiada cresceu em Aguaí, cidadezinha paulista de cerca de 32 mil habitantes. Seus pais nem completaram o ensino fundamental, mas a incentivavam a frequentar a escola, pois enxergavam ali a chance de a filha construir uma carreira e chegar aonde eles nunca tinham conseguido. Para Elisangela, não era um sacrifício. Pelo contrário: “Sempre fui tímida, e a sala de aula era o local onde me sentia mais incluída e confortável”, conta.

Ela seguiu firme e concluiu o ensino médio com um curso de magistério. Emendou a faculdade de pedagogia e fez uma especialização. “Eu me vejo como responsável não só pelo ensino da minha cidade mas do meu país”, ressalta. A missão que ela se impõe é monumental: dados indicam que o Brasil registra 13 milhões de analfabetos. Mas Elisangela sabe que, se continuar a fazer sua parte, já é meio caminho andado.