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24/04/2014

Levantamento aponta caminhos para a equidade de resultados nas avaliações externas de educação

Tetra Pak
Planeta Sustentável

Os estudantes de uma mesma escola obtêm resultados distintos em avaliações como a Prova Brasil. Aspectos como o nível socioeconômico dos alunos são comumente apontados como culpados por essa diferença. Mas, de acordo com a pesquisa Análise das Desigualdades Intraescolares no Brasil, da Fundação Victor Civita (FVC), em parceria com a Fundação Itaú Social e o Itaú BBA, fatores internos definidos pela gestão e pelos docentes também interferem no desempenho.

Usando como base notas de Matemática da Prova Brasil de 2009 de escolas públicas urbanas e um questionário aplicado em 252 instituições, o estudo, coordenado por Romualdo Portela de Oliveira, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), concluiu que em 66,8% das instituições da periferia a distância entre as melhores e as piores notas é pequena em relação ao restante da rede. "Apesar dessa homogeneidade, essas escolas tiveram médias baixas, enquanto as mais desiguais tiveram médias mais altas."

Segundo ele, não basta admitir a heterogeneidade. É necessário lidar com ela e buscar a chamada equidade (quando há uma pequena desigualdade dentro dos grupos, mas a média entre eles é parecida, sendo que todos atingem patamares mínimos). Entre as ações apontadas pelo estudo para alcançá-la, há propostas que dizem respeito à rede de ensino e à gestão, como a garantia de remuneração adequada, e outras que envolvem os docentes. Uma dessas orientações é a busca constante por formação (conheça outros apontamentos no quadro à direita).

A pesquisa ainda apontou que as escolas em que os melhores professores atuam com os alunos com mais dificuldade têm obtido um resultado melhor. Ângelo Ricardo de Souza, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), reforça que apesar de a busca pela equidade não depender apenas do professor, a identificação das desigualdades deve se basear na observação feita por ele no dia a dia da sala de aula. "O profissional precisa notar os estudantes com mais facilidade e aqueles que têm dificuldades. Isso não é para diferenciá-los, e sim para elaborar atividades específicas", diz