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28/09/2016

Jovens desejam uma escola com participação, atividades práticas e tecnologia

Marina Lopes / Vinícius de Oliveira
Porvir

Com um modelo de educação que enfrenta dificuldade para se ajustar ao perfil dos estudantes e responder aos seus interesses, não é de se espantar que os resultados educacionais demorem a apresentar avanços, especialmente no ensino médio. Soluções para transformar esse cenário são tema de debates entre os adultos envolvidos com educação, mas que frequentemente esquecem de consultar uma opinião importante: a dos estudantes.

Com o objetivo de identificar o que os jovens pensam da escola e como gostariam que ela fosse, o Porvir, programa do Instituto Inspirare, em parceria com a Rede Conhecimento Social, criaram a pesquisa “Nossa Escola em (Re)Construção”, que ouviu 132 mil alunos e ex-alunos, de 13 a 21 anos, de todos os Estados. “A pesquisa tentou ajudar os jovens a pensar em uma escola diferente da que eles têm. Eles trouxeram dados de uma escola que ainda não existe e manifestaram a vontade de ter um currículo mais flexível, em que seja possível escolher parte da trajetória, em que se aprende mais com a mão na massa do que só com aulas expositivas”, afirma Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare.

Os resultados mostram que os alunos têm muitas críticas à escola. Apenas um em cada 10 jovens está satisfeito com as aulas e com os materiais pedagógicos; um em cada 5 considera os prédios e a estrutura inadequados e 8 em cada 10 acreditam que as relações dos alunos com a equipe escolar e com seus colegas precisam melhorar. Ao mesmo tempo, 70% deles dizem que gostam de estudar em suas escolas e 72% dizem que lá aprendem coisas úteis para sua vida. “Eles estão dizendo ‘Eu acredito que a escola precisa me preparar para esse futuro que está aí, mas do jeito ela que está, isso não é possível'”, analisa a diretora do Inspirare.

Para o jovem Rodrigo Hermogenes, 20, de São Paulo (SP), que contribuiu com o processo da pesquisa, esses números podem ser um reflexo do lugar ocupado pela escola nos territórios que, segundo ele, vai além da educação formal. “Por mais que a escola e o ambiente da sala de aula sejam maçantes, os materiais pedagógicos sejam ruins e a metodologia não seja boa, a gente cria uma relação com os amigos, o coordenador, a secretária, a tia da cantina, a tia da faxina e até mesmo o próprio professor”, diz.

Ao se deparar com as perguntas sobre a percepção do jovem em relação à escola atual e como ela poderia estimular o seu aprendizado, Rodrigo conta que foi incentivado a refletir sobre novas formas de aprender. “Isso me trouxe reflexões sobre a minha própria capacidade de mudança”, menciona Rodrigo, que concluiu o ensino médio em escola pública. Em sua definição, a escola dos sonhos deveria ser um espaço livre, acolhedor e com menos paredes ou grades, que fosse capaz de interagir com o entorno. Outros estudantes que participaram da consulta também demonstram uma opinião semelhante, já que quatro em cada 10 jovens dizem acreditar que, na escola ideal, é importante interagir com a comunidade. Seis em cada 10 jovens também dizem que visitas, passeios e trabalhos externos não podem faltar na escola ideal.

Confira a notícia completa clicando aqui.




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