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31/08/2012

Educação rural e os desafios no ensino a grandes distâncias

Tetra Pak
http://revistaescola.abril.com.br

Garantir o acesso à Educação para todos os segmentos de ensino é o maior desafio da Educação rural no país. Geralmente, as comunidades isoladas têm salas multisseriadas com um professor que dá aulas somente até o 5º ano. Com isso, após concluir a primeira etapa do Ensino Fundamental, as crianças e adolescentes desses locais têm dificuldade para prosseguir os estudos. O Acre é um dos estados que enfrentam esse problema. Caracterizado pela baixa densidade demográfica (4,47 habitantes por quilômetro quadrado) e composto de apenas 22 municípios, ele tem boa parte de sua população vivendo em comunidades ribeirinhas, reservas extrativistas e assentamentos distantes das cidades. Na tentativa de resolver essa situação, a rede estadual de ensino criou, em 2005, o programa Asas da Florestania para atender os moradores dessas localidades.

Inicialmente voltado para a segunda etapa do Ensino Fundamental, o programa foi ampliado para o Ensino Médio em 2008 e, no ano seguinte, para a Educação Infantil. Embora em quatro dos 22 municípios não haja oferta para o Ensino Fundamental e, em outros cinco, para a Educação Infantil, o governo comemora o aumento do número de matrículas na zona rural: entre 2000 e 2009, passou de 10 para 23% nas séries finais do Fundamental e de 2 para 10% no Ensino Médio.

Alunos do 6º ao 9º ano têm um só professor para todos os conteúdos, que recebe apoio do núcleo regional. Geralmente, as comunidades isoladas têm salas multisseriadas com um professor que dá aulas somente até o 5º ano. Com isso, após concluir a primeira etapa do Ensino Fundamental, as crianças e adolescentes desses locais têm dificuldade para prosseguir os estudos. O Acre é um dos estados que enfrentam esse problema. Caracterizado pela baixa densidade demográfica (4,47 habitantes por quilômetro quadrado) e composto de apenas 22 municípios, ele tem boa parte de sua população vivendo em comunidades ribeirinhas, reservas extrativistas e assentamentos distantes das cidades. Na tentativa de resolver essa situação, a rede estadual de ensino criou, em 2005, o programa Asas da Florestania para atender os moradores dessas localidades.

Como a maioria das escolas do Acre (56%) tem apenas uma sala, segundo o Censo Escolar de 2009, elas não contam com diretor ou outros profissionais. A formação docente fica a cargo dos núcleos regionais de ensino - que fazem reuniões quinzenais - e das visitas trimestrais de um técnico da Secretaria. O professor Cosmo Costa Benigno, que é graduado em Educação Física, leciona para o 6º ano da Escola União, na área rural de Xapuri, a 175 quilômetros de Rio Branco. Ele diz que os encontros o ajudam no planejamento das aulas. "Os supervisores tiram as dúvidas e solicitam materiais à rede quando preciso."

A dificuldade em conseguir transporte adequado fez com que o governo optasse pelo atendimento domiciliar para a Educação Infantil. "Não dá para exigir que as crianças e os pais cruzem a floresta e atravessem rios", explica Francisca das Chagas Souza da Silva, gerente do ensino rural do estado. Os agentes educadores são moradores da própria comunidade que já concluíram ou estão cursando o Ensino Médio e passam por um processo seletivo. Eles vão à casa dos alunos duas vezes por semana e seguem um roteiro de duas horas, que inclui atividades como cantigas de roda e desenhos, baseadas no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil.

Em 2009, o Asas da Florestania foi integrado ao Programa de Inclusão Social e Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Estado do Acre (Pró-Acre), financiado pelo Banco Mundial e pelo governo estadual até 2014. Segundo Josenir Calixto, o Asas não será interrompido após esse período. "O programa deve ter continuidade, pois tornou-se uma política pública de longo prazo", diz o coordenador de ensino.