Share |
12/08/2016

Como incentivar os alunos tímidos a participar mais das aulas?

Neurilene Martins
Nova Escola

Se considerarmos nossos tempos de escola, com certeza alguns de nós vão se enquadrar no perfil de criança tímida ou lembrar de colegas que falavam pouco e se esquivavam de se expor para a sala. Timidez não é defeito. Existem diferentes ritmos, estilos de aprendizagem e pessoas. Por isso, vale a pena prestar atenção nas singularidades dos alunos para não rotulá-los com base em visões estereotipadas de comportamentos ideais.

Precisamos, sim, incentivar que eles participem e compartilhem suas inquietações, mas não podemos querer transformá-los em algo que não são. Quem não conhece adultos tímidos na vida social, mas que profissionalmente são bem-sucedidos? Se nos colocarmos a pensar, seja no nosso círculo de conhecidos ou a partir de biografias de personalidades, lembraremos de diversos casos.

Para incluir essas crianças com a delicadeza e pertinência necessárias é necessário reconhecer suas peculiaridades e ajudá-las a conhecer a si mesmas, a ganhar autoconfiança e encontrar a própria forma de se relacionar com os outros. Nesse caso, é fundamental ouvir a família para saber sobre os comportamentos e atitudes da criança em outros ambientes sociais.

Uma dica valiosa é observar se o estudante com esse perfil está confortável no grupo para realizar atividades colaborativas ou se fica constrangido nessas interações. Atente-se também às situações e às condições nas quais ele se sente mais à vontade para interagir (como, por exemplo, em pequenos grupos ou com um par preferido).

O professor deve passar confiança e pode conversar, individualmente, com a criança para saber como ela se sente. Conhecer as percepções do aluno sobre si e sobre o grupo, o que gosta nesse ambiente e o que gostaria de ajustar na relação consigo e com os outros torna mais fácil identificar oportunidades para integrá-los e incentivá-los a participar quando o assunto for significativo para eles, sempre sem pressioná-los. Para tanto, valorize todas as contribuições desses alunos de modo natural e afetivo, mas sem exageros.

Experimente fazer acordos prévios. Se ele, por exemplo, realizar um bom trabalho ou pesquisa, incentive-o a compartilhar os achados com a turma na aula seguinte. Em intervenções coletivas, evite colocá-los em evidência sem aviso, quando isso puder constrangê-los. Mas vale dirigir perguntas a essa criança sobre conteúdos que ela dá conta e solicitar ajuda em demandas em que demonstraram conhecimento.

Na hora de formar grupos, considere não apenas o objetivo da atividade, mas também os laços afetivos. Assim, elas têm mais chances de se sentir acolhidas e desafiadas. Individualmente, escute as percepções da criança sobre o próprio percurso e dê devolutivas a ela pontuando crescimentos.

Nesse processo de inclusão desses nossos alunos, o desafio para a escola é construir uma comunidade que respeite as diferenças. A questão é ajudar cada criança, tímida ou extrovertida, a entrar em contato consigo mesma e se aventurar com mais autoconfiança nos processos de socialização. No mais, que exista lugar no mundo para os tímidos!