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27/07/2013

Alunos estudam e fazem quimioterapia em 'escola móvel'


Folha de S. Paulo

Apesar da pouca idade, o adolescente Arthur Francisco Andrade Galdino, 16, já tem um amplo currículo de superação: venceu duas doenças graves e está lutando para passar pela terceira.

Ele ainda tem outro desafio: sair-se bem no Enem (Exame Nacional de Ensino Médio). Quer ser engenheiro civil, como sua mãe. Uma boa nota do Enem é pré-requisito para entrar na universidade.

Arthur está fazendo tratamento contra um sarcoma de Ewing, um tipo de câncer nos ossos, no Graac (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), em São Paulo.

Antes, ele venceu uma leucemia. No meio do caminho, teve mal de Chagas, uma infecção causada por um parasita, provavelmente contraída em alguma transfusão de sangue. A doença também foi vencida por Arthur.

É lá mesmo, no Graacc, que ele estuda, nas chamadas "escolas móveis", desde 2009. Ele chegou a voltar para a escola regular, mas teve de retornar ao hospital devido a um novo tratamento.

E é lá que o garoto fará o Enem. O exame será acompanhado por uma equipe do Ministério da Educação. Pela primeira vez, quatro jovens em tratamento --incluindo Arthur-- farão o exame juntos no Graacc. "Vou aproveitar a recuperação para dar um gás nos estudos."

Ele fará uma transfusão de medula óssea nas próximas semanas, antes de uma nova batelada de quimioterapia. Já foram 26 sessões até hoje.

As aulas da escola móvel acontecem até durante a químio, dependendo da disposição de cada estudante.

São como aulas particulares. O professor encontra o aluno e leva o material didático, que varia entre livros, brinquedos e tablets. Quase 270 alunos participam.

"Quando o aluno está na UTI usamos apenas o tablet, que é mais fácil de higienizar", explica Vanessa dos Santos Marques, 25, professora de português. Ela ensina oito crianças por semana.