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14/09/2016

A Estônia é a nova Finlândia?

Sarah Butrymowicz
Porvir

A maioria dos educadores e gestores de políticas públicas sabem dizer rapidamente uma lista de potências internacionais na educação: Coreia, Singapura, Japão, Finlândia.

Mas existe um país faltando na lista: a Estônia. Ainda que educadores do mundo todo viajem em bando para a Finlândia para descobrir sua fórmula mágica, a Estônia, que fica a apenas duas horas de distância de balsa, não desperta tamanho interesse.

Isso pode mudar se o país continuar em sua trajetória ascendente. Em 2012, alunos de 15 anos da Estônia ficaram em 11º lugar em matemática e leitura, e em sexto em ciências dentre 65 países que participaram de um teste internacional que compara sistemas de todo o mundo chamado Programa Internacional para Avaliação de Alunos, ou PISA na sigla em inglês.

Além de superar países ocidentais como França e Alemanha e praticamente empatar com a Finlândia em matemática e ciências, a Estônia também teve o menor número de alunos com baixo desempenho em toda a Europa, cerca de 10% em matemática e leitura e 5% em ciências.

Mesmo com apenas 1,3 milhão de habitantes, o país tem sua fração de diversidade cultural. Quando alcançou independência da União Soviética 25 anos atrás, o estoniano se tornou a língua oficial e de instrução nas escolas. Entretanto, um quinto de seus estudantes que são provenientes de famílias que continuam a falar russo em casa historicamente têm ficado atrás de colegas que falam a língua nativa em provas como o PISA.

Ainda que os estudantes possam ter diversas origens familiares, as escolas da Estônia lhes oferecem experiências educacionais muito parecidas. Ao abraçar alunos de todos os tipos de família, posição social, cultura e nível de renda, a Estônia tem sido bem-sucedida não apenas em provas, mas em uma meta que muitos gestores e educadores consideram importante: a criação de um sistema educacional baseado na equidade. O conceito é um resquício da era soviética que o país pretende manter ao mesmo tempo que continua a lutar para modernizar suas escolas e diminuir ainda mais as já pequenas diferenças de aproveitamento entre os seus alunos.

Como resultado desse comprometimento, o desempenho da Estônia no PISA não acontece apesar dos seus estudantes mais pobres; mas em grande parte por causa deles.

“Temos conseguido manter a educação bastante nivelada”, diz Jürgen Ligi, ministro da educação da Estônia. “E tem funcionado”.

Na prova de matemática de 2012 do PISA, mais de um terço dos estudantes de baixa renda ficaram entre os melhores do país. A Estônia teve a segunda menor diferença de desempenho entre seus alunos mais pobres e ricos dentre todos os alunos de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Marc Tucker, presidente do National Center on Education and the Economy (Centro Nacional de Educação e Economia) dos Estados Unidos, visitou a Estônia no ano passado para descobrir o que o país está fazendo certo. Ele disse que, após a queda da Cortina de Ferro, outras ex-repúblicas soviéticas, como Hungria e a República Checa, fizeram a transição para um sistema que preferencialmente atendia às necessidades de suas elites, enquanto a Estônia continuou a dar oportunidades iguais a estudantes de todas as origens.