Share |
25/06/2017

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) chega à reta final


Nova Escola

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) chega à reta final com quase 13 milhões de autores. Além da equipe do MEC, o documento foi lido por professores, estudantes, gestores e membros do terceiro setor. Eles indicaram exclusões e mudanças em duas situacões. A primeira, online, entre setembro de 2015 e março de 2016, quando mais de 12 milhões de pessoas analisaram a versão inicial. Três meses depois, cerca de 9 mil educadores discutiram a base nos seminários estaduais. Para o MEC, a participação serviu para adequar a linguagem e identificar controvérsias. “Diagnosticamos a reivindicação por uma abordagem multicultural em História e mais clareza na progressão de aprendizagens” diz Marcelo Burgos, líder da equipe da PUC-Rio que fez um raio-X nos comentários. Agora, o Conselho Nacional de Educação vai colher mais sugestões, mas sem alterar o texto.

PRINCIPAIS PEDIDOS

O que entrou e o que ficou de fora por área do conhecimento

Educação Infantil

Quase 30% das alterações nos objetivos de aprendizagem vieram dos seminários, segundo Andréa Patapoff, especialista em Educação Infantil. Algumas demandas: inclusão da família; ênfase à oralidade; leitura para bebês; aproximação com o sistema numérico; e como fazer a transição ao Ensino Fundamental. A avaliação dos pequenos foi sugerida, mas ficou de fora. “Ela deve ficar a critério do professor e está atrelada ao currículo da escola”, explica Andréa.

Linguagens

Em Língua Portuguesa, variação linguística, que estava diluída na segunda versão, virou unidade temática. Em Arte, foi pedido para cada linguagem ser um componente curricular separado, mas elas ficaram espalhadas na disciplina. Mais práticas corporais ligadas ao lazer, saúde e sociabilidade foram incluídas em Educação Física. Já Língua Estrangeira atendeu poucas sugestões. Segundo o MEC, o motivo foram as alterações recentes à LDB para inglês entrar nos anos iniciais.

Matemática

A campeã, com 1,7 milhão de contribuições. A maioria delas sobre a linguagem utilizada e não tanto sobre conteúdo, segundo Ruy Pietropaolo, redator da disciplina. De acordo com ele, os educadores pediram que meios de fazer operações matemáticas ganhassem mais espaço, assim como estratégias de cálculo mental.

Ciências

A principal sugestão nos seminários estaduais foi aumentar o número de habilidades e adequar os conteúdos à faixa etária dos alunos. De um total de 114 habilidades, 70 foram mantidas e 43 mudaram de bloco ou ano. É a maior taxa de transferência (63%) entre todas as áreas. Outra demanda foi a inclusão de sustentabilidade, letramento científico e direitos relacionados à sexualidade no documento.

Ciências Humanas

Em História, as culturas afro e indígena ganharam espaço pela quantidade de reclamações ao texto inicial. Ao todo, 114 objetivos de aprendizagem foram retirados – maior número entre todas as disciplinas. Alguns deles porque os leitores acharam que pareciam descrição de atividades. Exemplos: “conhecer a obra ‘Os Sertões’, de Euclides da Cunha”. Em Geografia, “abordagem dos cinco continentes”, “cartografia como ciência” e “abordagem dos contextos locais e internacionais” foram acrescentados.

QUANDO COMEÇA A FUNCIONAR?

A fase de implementação começa após a homologação do documento pelo MEC, o que deve ocorrer no segundo semestre deste ano para as etapas da Educação Infantil e Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, em 2018. A implementação envolve várias frentes de ação (que serão planejadas pelos estados e municípios, com apoio do MEC)

Adequação dos currículos das redes e dos projetos políticos pedagógicos das escolas à BNCC. Formação continuada dos professores e adequação dos materiais didáticos. O MEC calcula que a fase de implementação dure cerca de dois anos a partir da homologação