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28/04/2015

Qual a diferença entre lixão, aterros e compostagem?


Tera Ambiental

Você sabe a diferença entre um lixão, um aterro controlado ou sanitário e a compostagem ? Podem parecer similares, mas são diferentes em suas características e funções. Entendê-las é de vital importância para a gestão adequada de resíduos.

O Relatório da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), divulgado no ano passado, mostrou que, atualmente, 60% das cidades encaminham resíduos para locais inapropriados. Além disso, o Brasil aumentou a sua produção de lixo nos últimos anos. Por isso, entender as diferenças entre lixão, aterro sanitário ou controlado e compostagem é fundamental para cobrar ações do governo local e exigir mudanças. Lixo provoca doenças, danos ao meio ambiente e compromete os lençóis freáticos. Quer saber quais são as diferenças? Vamos lá!

Lixão: depósito a céu aberto

O Lixão é uma opção inadequada de disposição final de resíduos a céu aberto, sem qualquer planejamento ou medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública. No local não há nenhum controle ou monitoramento dos resíduos depositados, onde nesse caso, resíduos domiciliares e comerciais de baixa periculosidade podem ser depositados juntamente com os industriais e hospitalares, de alto poder poluidor, atraindo vetores, além de riscos de incêndios causados pelos gases gerados pela decomposição do lixo.

Como não há impermeabilização, o chorume, líquido gerado pela decomposição da matéria orgânica, não é coletado, podendo penetrar na terra e contaminar o solo e o lençol freático. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), implantada em 2010, previa para agosto de 2014 o fim dos lixões, mas a pesquisa da Abrelpe apontou que 1.569 municípios ainda utilizam lixões para descarte.

Aterro controlado: solução intermediaria aos lixões

Segundo a NBR 8849/1985 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o aterro controlado é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo que evita danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais. Esse método utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos, cobrindo-os com uma camada de material inerte na conclusão de cada jornada de descarte. Com essa técnica de disposição produz-se, em geral, poluição localizada, não havendo impermeabilização de base (comprometendo a qualidade do solo e das águas subterrâneas), nem sistema de tratamento de percolado (chorume mais água de infiltração) ou de extração e queima controlada dos gases gerados.

O aterro controlado é preferível ao lixão, mas apresenta qualidade bastante inferior ao aterro sanitário e normalmente, é uma alternativa usada por pequenos municípios que não têm condições de construir um aterro sanitário, a opção mais apropriada para o descarte do lixo.

Suas principais características que o difere do lixão são:,

  • A área isolada e sinalizada;
  • Controle de resíduos para impedir a entrada de descartes perigosos da classe 1 — que possuem inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e/ou patogenicidade;
  • O lixo é compactado e o solo coberto a cada jornada;
  • Após a compactação, o local recebe argila e terra para o plantio de espécies de raízes curtas;
  • O aterro controlado tem drenagem pluvial para impedir o contato da chuva com o lixo.

Aterro sanitário: opção comum para o lixo urbano

Conforme a NBR 8419/1992 da ABNT, o aterro sanitário também é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, que visa prevenir danos à saúde pública e ao meio ambiente, minimizando os impactos ambientais. Tal método utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, recebendo tratamento no terreno (impermeabilização e selamento da base com argila e mantas de PVC). O lençol freático e o solo ficam protegidos da contaminação pelo chorume, que é coletado e tratado no local ou em empresas especializadas. O gás metano também é coletado para armazenagem ou queima. Apesar de ser uma solução ecologicamente correta, um aterro sanitário também precisa se adequar a exigências ambientais para funcionar. São elas:

  • Impermeabilização de base e laterais;
  • Recobrimento diário dos resíduos;
  • Cobertura final das plataformas de resíduos;
  • Coleta, drenagem e tratamento de lixiviados (chorume e água pluvial);
  • Coleta e tratamento de gases;
  • Drenagem superficial;
  • Monitoramento técnico e ambiental.

Compostagem: a melhor opção para o meio ambiente

Em linhas gerais, a compostagem é uma alternativa ambientalmente segura, sustentável e que atende a legislação ambiental atual. Trata-se de um processo biológico de reaproveitamento que transforma resíduos orgânicos em matéria orgânica com qualidade para ser utilizada na agricultura como fertilizante orgânico composto ou condicionador de solos. Em determinados casos, pode ser realizada in loco (na própria empresa) ou off-site (na empresa contratada), compartilhando a responsabilidade sob os materiais orgânicos com empresas de soluções ambientais habilitadas para realizar o seu tratamento. Os resíduos domésticos podem ser compostados de maneira mais simples e através de composteiras caseiras; por meio de um biodigestor, que transforma o material orgânico em gás metano ou ainda por sistemas mais amplos com capacidade para grandes volumes e variedades de resíduos, que é o método que utilizamos na Tera Ambiental.

Tornando-se uma opção de destaque para a destinação correta e segura dos resíduos orgânicos advindos de indústrias, empresas e domicílios, o processo promove a reciclagem de nutrientes, a melhoria das propriedades físicas e biológicas dos solos cultivados e ainda contribui para que estes resíduos não se acumulem em aterros sanitários constituindo passivos.