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12/10/2015

Já pra fora!

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça
Conexão Planeta

Neste dia das Crianças, propomos uma reflexão.

Ser criança, hoje, é bem diferente do que na época de nossos pais ou avós. E essa diferença se intensifica a cada ano. Ser criança, hoje, não é natural. É o que mostra o vídeo, que tem circulado pelas redes sociais nas últimas semanas e retrata essa transformação de forma muito didática. Três gerações respondem à pergunta: O que você faz (ou fazia) para se divertir na infância?

Ouvir as respostas das crianças sobre sua forma de se divertir – sentadas e conectadas ao mundo virtual apenas -, é preocupante. O sentimento dos pais e dos avós, que também participaram deste vídeo, é o mesmo. Este é o mundo em que a maioria das crianças está crescendo: um ambiente em que o tempo e o espaço valorizam a tecnologia em detrimento da vivência e da convivência.

Pensar nas gerações que estão por vir, assusta ainda mais, mas é, ao mesmo tempo, um convite para a transformação dessa realidade. Há algo fundamental para o pleno desenvolvimento dessas crianças que lhes está sento tirado ou não está sendo apresentado. Brincar ao ar livre.

E como oferecer-lhes tudo de que precisam em cada etapa de sua vida?

Nosso convite é para que pais e educadores tirem as crianças de casa para que elas ocupem os espaços públicos, parques, praças, jardins e deixem que a infância ocupe seus territórios, para que:

– brinquem livres e criem seus próprios brinquedos;

– aprendam a andar em terrenos irregulares, exercitando seus corpos a partir dos diferentes desafios que os espaços naturais oferecem;

– cresçam percebendo o mundo a partir de seu próprio corpo, de seus sentidos, que ficam muito aguçados quando em contato com a natureza.

– tirem suas próprias conclusões sobre o mundo em que vivem enquanto brincam com folhas, cascas, pedras, água, terra e gravetos.

Sem isso, sua experiência será exclusivamente racional, que não deixa espaço/tempo para o desenvolvimento de outros atributos próprios do ser humano.

Essa “revolução” começa aos poucos, quebrando a rotina e experimentando novos hábitos. Que tal uma hora por dia do lado de fora, buscando os elementos divertidos e inspiradores? Brincar ao ar livre e com os elementos naturais ajuda a evitar ou diminuir os sintomas do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), enfermidade tão comum (e identificada) nos dias de hoje. E você, pai ou educador, poderá observar rápidas mudanças nas crianças: elas se tornam mais ativas, mais expressivas, com a percepção mais aguçada, mais interessadas no aprendizado, e interagem com os amigos e com os adultos de forma mais harmoniosa.

Então, voltemos ao vídeo do início deste post para refletir.

Que resposta gostaríamos de ouvir das nossas crianças, ao perguntar sobre suas brincadeiras favoritas?

Procure criar uma imagem do que você considera ideal para suas crianças. A força dessa imagem certamente o ajudará a resgatar a infância de seu filho (ou aluno) para que ela retome o espaço e o tempo perdido, ao qual tem direito.