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20/06/2014

Jardim Botânico Plantarum, o Berço das Plantas

Tetra Pak
Terra da Gente

A palavra-chave de um jardim botânico é adaptação. Afinal este lugar abriga diversas espécies, de todos os biomas brasileiros, que se diferenciam em fatores como solo, clima e umidade. Com mais de 3.700 espécies totalmente adaptadas, o Jardim Botânico Plantarum, em Nova Odessa (SP), alcançou seu objetivo de se tornar o maior da América Latina, superando inclusive o do Rio de Janeiro, que tem cerca de 3.350 espécies de flora. Após 30 anos de coletas de mudas e sementes em expedições, Harri Lorenzi, engenheiro agrônomo e autor de diversos livros sobre botânica (utilizados com frequência pelo TG), sentiu a necessidade de transportar sua coleção viva para um lugar em que as plantas pudessem, enfim, crescer. Desejo que se concretizou a partir do momento em que ele adquiriu, em 1998, o antigo terreno de uma fábrica de lançadeiras (peça utilizada da indústria têxtil). Vanessa Gonçalves Brochini, esposa do autor e porta-voz do Jardim Botânico Plantarum, conta que o local estava abandonado, com muito mato, formigueiros, pés de abacate e um solo argiloso. “Lorenzi sempre diz que aqui era a pior área para se construir um jardim botânico”, relembra.

Logo na entrada, a vitória-régia, um dos cartões postais do JBP, é um dos exemplos de adaptação, afinal a espécie é de origem amazônica, clima bem diferente do encontrado no jardim (área de transição entre Mata Atlântica e Cerrado). E, para florescer, diversas etapas específicas tiveram que ser obedecidas. Brochini explica que os processos foram feitos na estufa, seguindo os ciclos naturais, que apenas o Plantarum conseguiu reproduzir. O desafio estava só começando. A coleção foi levada até o novo espaço e germinada em estufas. Em 2007, Vanessa Brochini conta que o lugar estava com uma ‘cara’ de jardim, com as plantas bem adaptadas e em fase de desenvolvimento mais avançada, o que possibilitou a visitação. “Aqui a pessoa pode andar entre as plantas, não precisa desviar. É necessário esse contato com a natureza”, revela o intuito. Além disso, o Jardim Botânico Plantarum tem a missão de preservação, afinal o visitante pode encontrar 26 espécies extintas da natureza. Segundo Brochini, elas só podem ser vistas no jardim. É o caso da palmeirinha, que era encontrada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, e foi dizimada, dando lugar a plantações de soja. Mesmo com o cuidado quanto à readaptação na natureza, algumas espécies, como a palmeira-laca, não se adequaram ao clima e, portanto, não resistiram. “Estamos com projeto de fazer uma estufa aberta ao público em que o clima poderá adaptar mais espécies que não sobrevivem fora de seu habitat natural”, adianta um dos novos projetos.

A grande coleção botânica de Lorenzi está distribuída por uma área de 80 mil m² do jardim. As plantas foram agrupadas conforme as necessidades, o que motivou a criação de 17 jardins temáticos, onde é visível o contraste natural entre as espécies. Esta diferença pode ser observada pela coleção de cactos, espécies que necessitam de um clima mais árido e solo pedregoso. Mas logo ao lado deles, em um pequeno lago, espécies aquáticas, como as ninfeias e alfaces-d’água sobrevivem em harmonia com aridez vizinha. Percorrendo o caminho, encontra-se um pedaço da Mata Atlântica, com uma vegetação mais fechada e seu clima quente e úmido característico. Para proporcionar estas condições, neste espaço, há uma irrigação diferenciada, que permite a adaptação de frutíferas como o jatobá e as jabuticabeiras.

Além disso, Harri Lorenzi organizou algumas plantas que comunmente são usadas pelas pessoas, sejam elas na cozinha, na indústria, em medicamentos e para fins terapêuticos. São espécies observadas no ‘Jardim das Utilidades’. Além daquelas encontradas com facilidade, como boldo, há outras menos comuns, feito a ora-pro-nóbis. Rica em ferro, Vanessa Gonçalves Brochini explica que ela alimentou muitas pessoas na Itália durante a guerra. E falando em história, no Jardim Botânico Plantarum, os visitantes podem encontrar a ‘Árvore do Imperador’. Trata-se da guapeba, planta que segundo historiadores era a preferida de Dom Pedro II, que distribuía sementes e mudas pelos países que percorria. Após a queda do império, esta árvore sofreu uma ‘perseguição política’. Ou seja, as populações foram cortadas e ela quase foi extinta.

Jardim Botânico Plantarum

Endereço: Avenida Brasil, 200 – Nova Odessa (SP)

Funcionamento: De quarta-feira a domingo, das 9h às 17h

Ingresso: Adultos (R$ 20); estudantes, idosos e professores (R$ 10)

Outras informações: (19) 3466 5587 ou plantarum@plantarum.org.br