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02/06/2015

Força no pedal! Como as bikes estão mudando 10 capitais


Exame.com

Transformação sobre duas rodas

São Paulo - A criação de vias exclusivas para bicicletas, um veículo limpo e sustentável, está longe de receber a atenção que merece nas grandes cidades brasileiras. Mas, pedalando, é possível chegar lá.

É o que mostra o recém lançado livro “A Bicicleta no Brasil”, que fornece um panorama atualizado da ciclomobilidade a partir do olhar daqueles que defendem (e adotam) as magrelas como meio de transporte em 10 capitais.

Obstáculos não faltam no caminho dos ciclistas, especialmente em um cenário que favorece o transporte individual e motorizado. Mas, pouco a pouco, com a mobilização social e as pressões crescentes por melhorias, a distância entre os gestores públicos e as demandas de grupos organizados tem diminuído.

Não tem receita pronta

“Cada cidade tem seu histórico de lutas, batalhas e conquistas importantes. A mensagem principal do livro é essa diversidade do uso das bikes no Brasil”, diz Daniel Guth, consultor em mobilidade urbana e um dos organizadores do livro.

Segundo ele, não existe forma de bolo para a infraestrutura cicloviária.

“Ela tem que dialogar com as características urbanísticas da cidade, com os interesses dos ciclistas, com questões de origem e destino e formatos que garantam segurança e conforto ao usuário”, explica.

Outro mérito do livro é mostrar que as ciclovias representam um ganho coletivo e não restrito apenas a um grupo específico: muitas das críticas que surgem na esteira da criação de ciclovias se resumem em dizer que bicicleta “rouba” espaço do carro.

“É compreensível essa sensação”, diz Guth. “São críticas baseadas na percepção de perda de privilégios. Ao mudar o foco para um novo tipo de transporte, é natural que quem não está conectado se sinta acuado, desfavorecido, sentindo que perdeu alguns direitos que, na verdade, são privilégios. Repare que boa parte da infraestrutura cicloviária que está sendo implantada em São Paulo está em áreas de estacionamento público, rotativo ou livre. São áreas praticamente mortas que servem de estacionamento para um único modal de transporte, mas que agora são convertidas à favor da circulação de pessoas e de bikes, um modal fragilizado e marginalizado historicamente”, pontua.

'Humanovias'

“É fantástico olhar dez anos atrás e ver o quanto a relação das cidades com as bicicletas mudou”, avalia Marcelo Maciel, empresário e presidente da Aliança Bike.

“Nós crescemos numa sociedade envolta, há mais de cem anos, na cultura automobilística. Mas aos poucos, redescobrimos que as cidades são dos seres humanos. Nas ciclovias, você vê ciclistas, corredores, gente caminhando, mães passeando com seus filhos, jovens patinando, andando de skate...Elas representam um espaço para pessoas, uma espécie de 'humanovia'. E o cicloativismo cavou essas oportunidades”, destaca.

O livro A Bicicleta no Brasil é fruto da parceria entre a associação Aliança Bike, a rede Bicicleta para Todos, a rede Bike Anjo e a UCB – União dos Ciclistas do Brasil e conta com o apoio de entidades privadas.

Também participaram da elaboração do livro grupos, entidades e organizações de dez cidades diferentes. São elas: Ameciclo (Recife-PE), BH em Ciclo (Belo Horizonte-MG), Ciclocidade (São Paulo-SP), Cicloiguaçu (Curitiba-PR), Ciclo Urbano (Aracaju-SE), Ciclovida (Fortaleza-CE), Pedala Manaus (Manaus-AM), Rodas da Paz (Brasilia-DF), Transporte Ativo (Rio de Janeiro-RJ) e ViaCiclo (Florianópolis-SC).