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26/11/2009

Petroquímica vai fornecer 5 mil toneladas de "resina verde" da fábrica no pólo de Triunfo a partir de 2011

Ivo Ribeiro, de São Paulo
Valoronline

A Tetra Pak, líder mundial na fabricação de embalagens cartonadas de alimentos, e a Braskem firmaram contrato para fornecimento de resina plástica de polietileno obtido do etanol oriundo da cana-de-açúcar. A petroquímica brasileira, principal da América Latina, está erguendo no Rio Grande do Sul uma fábrica de eteno e polietileno a partir do etanol que deverá iniciar produção no fim de 2010.

O acordo envolve inicialmente 5 mil toneladas ao ano de polietileno de alta densidade (PEAD) a partir de 2011. Esse tipo de resina será utilizado na confecção de tampas e lacres das embalagens. Para o corpo da embalagem, é usada a resina da de baixa densidade. O volume representa pouco mais de 5% da necessidade da Tetra Pak de PEAD e pouco menos de 1% do total de compra de materiais plásticos pela fabricante de origem sueca.

Paulo Nigro, presidente da Tetra Pak no Brasil, disse que o acordo é emblemático. "É o primeiro passo na direção de uma embalagem obtida 100% com matéria-prima de fontes renováveis, como o plástico verde oriundo do etanol". Segundo afirmou, hoje a empresa já tem o papel cartonado com certificação FSC, sigla do Conselho de Manejo Florestal. "O uso do polímero verde faz parte de nosso comprometimento com o desenvolvimento sustentável e será um diferencial a mais entre as empresas", disse.

Com o objetivo de substituir 100% do plástico que a Tetra Pak utiliza, Nigro disse esperar que outras companhias venham a desenvolver o polietileno verde, seguindo o caminho da Braskem, cuja unidade no polo de Triunfo terá capacidade de 200 mil toneladas por ano - 50% de PEAD e outro tanto de polietileno linear.

Luiz de Mendonça, vice-presidente da Braskem e responsável pela unidade de polímeros, afirmou que numa primeira fase a venda de polietileno verde visou focar o produto em segmentos de destaque, com potencial de expansão e em clientes líderes de mercados, como indústrias de alimentos, higiene pessoal, cosméticos, automobilística e embalagens - como a Tetra Pak, uma cliente global. "Estamos com toda a produção já vendida", disse.

Segundo a Braskem, a demanda pela resina verde teve o equivalente a três vezes a capacidade da fábrica. O investimento no projeto é de cerca de R$ 500 milhões, sem considerar juros durante a construção e outros gastos. Por apresentar "características tecnológicas e inovadoras", o projeto teve financiamento de RS$ 556 milhões do BNDES.

Por ser oriundo de uma fonte renovável, a cana-de-açúcar, o polietileno passou a ser chamado de plástico verde. Tecnicamente, o produto tem as mesmas características da resina obtida do petróleo. A diferença é que o ciclo agrícola captura carbono, explica Mendonça, enquanto o processamento do petróleo gasta energia e é um liberador de carbono no ar.

Para que a Tetra Pak possa comprar mais dessa resina, a Braskem terá de fabricar o polietileno de baixa densidade, aplicado no corpo das embalagens. "A partir de 2010, começamos a decidir o próximo investimento, que deverá ser uma planta bem maior, de escala mundial [400 mil a 500 mil toneladas] e que deverá estar ao lado de regiões produtoras de etanol".

A Tetra Pak vai utilizar as 5 mil toneladas nas suas duas fábricas do Brasil (Monte Mor-SP e Ponta Grossa-PR) e na da Argentina. Segundo Nigro, numa fase seguinte deverá estender o uso dessa resina em unidades da Europa.

Mais informações sobre o plástico verde:

http://www.braskem.com.br/site/portal_braskem/pt/conheca_braskem/desenvolvimento/plastico_verde/pesquisa_e_desenvolvimento.aspx