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03/04/2018

Américas podem perder 40% da biodiversidade até 2050, aponta relatório


UOL Notícias - Ciência e Saúde

A atividade humana levou os animais e as plantas ao declínio em todas as regiões do mundo, colocando em risco o nosso próprio bem-estar através da exploração excessiva dos recursos naturais e de poluentes, alertou uma pesquisa abrangente sobre espécies na sexta-feira (23/03/2018).

Os estoques de peixes podem se esgotar até 2048 e mais da metade das espécies de aves e mamíferos da África desaparecer até 2100, a menos que medidas drásticas sejam tomadas, de acordo com dados de quatro relatórios divulgados em Medellín (Colômbia).

Até 90% dos corais da Ásia-Pacífico sofrerão "degradação severa" até 2050, enquanto na Europa e na Ásia Central quase um terço das populações conhecidas de peixes marinhos e 42% dos animais e plantas terrestres estão em declínio. Já as Américas podem perder 40% da biodiversidade original até 2050.

"Essa tendência alarmante coloca em risco as economias, os meios de subsistência, a segurança alimentar e a qualidade de vida das pessoas em todos os lugares", alertou a Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES).

Elaborados por quase 600 cientistas ao longo de três anos, os relatórios ressaltam que a natureza fornece aos humanos comida, água limpa e energia, e regula o clima da Terra - praticamente tudo que precisamos para sobreviver e prosperar.

"Estamos minando nosso próprio bem-estar futuro", disse o presidente da IPBES, Robert Watson.

A avaliação da IPBES dividiu o mundo em quatro: Américas, África, Ásia-Pacífico, Europa e Ásia Central - todo o planeta, exceto a Antártica e os mares abertos.

Cientistas voluntários examinaram cerca de 10.000 publicações científicas para o mais extenso levantamento sobre biodiversidade desde 2005.

As conclusões foram resumidas em quatro relatórios aprovados pelos 129 países membros da IPBES na Colômbia. Elas contêm diretrizes para os governos criarem políticas mais amigáveis em relação à biodiversidade no futuro.

Extinção em massa

Para as Américas, a pesquisa alertou que as populações de espécies - já 31% menores do que quando os primeiros colonos europeus chegaram - terão encolhido cerca de 40% até 2050.

Estima-se que cerca de 500.000 quilômetros quadrados de terra africana estejam degradados, acrescentou. O continente sofrerá perdas de plantas "significativas" e seus lagos serão 20-30% menos produtivos até 2100.

Na União Europeia, entretanto, apenas 7% das espécies marinhas avaliadas tinham um "estado de conservação favorável". "Se continuarmos do jeito que estamos... a sexta extinção em massa, a primeira causada pelos humanos, continuará", disse Watson à AFP.

Os cientistas dizem que o consumo voraz da biodiversidade pela humanidade desencadeou a primeira extinção em massa de espécies desde o desaparecimento dos dinossauros - a sexta em nosso planeta em meio bilhão de anos.

Aumento da demanda

Em muitos lugares, as mudanças climáticas causadas pela queima de combustíveis fósseis para energia estava piorando a perda de biodiversidade, segundo os relatórios.

"É isso que temos que transmitir aos formuladores de políticas: temos de olhar para as mudanças climáticas e para a biodiversidade em conjunto", afirmou Watson.

"As mudanças climáticas afetam a biodiversidade, mudanças em nossa vegetação natural afetam as mudanças climáticas. E ambas, se não fizermos isso corretamente, vão prejudicar muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas: água limpa para todos, segurança alimentar para as pessoas, segurança energética, segurança humana, equidade". Existem muitos obstáculos.

"O crescimento econômico vai continuar. O crescimento da população continuará até 2050, portanto a demanda por recursos aumentará", disse o presidente da IPBES.

Mesmo nos melhores cenários, o aquecimento global continuará contribuindo para a perda de espécies, o que causará maior degradação dos ecossistemas.

Mas os cientistas apontam possíveis soluções: criar mais áreas protegidas, restaurar zonas degradadas e repensar os subsídios que promovem a agricultura insustentável.

Governos, empresas e indivíduos devem considerar o impacto sobre a biodiversidade ao tomar decisões sobre agricultura, pesca, silvicultura, mineração ou desenvolvimento de infraestruturas.

Regiões diferentes exigirão soluções diferentes, disse Watson. "Não é tarde demais" para interromper ou mesmo reverter alguns dos danos, afirmou. "Podemos parar tudo isso? Não. Podemos desacelerá-lo significativamente? Sim".

A IPBES divulgará um quinto relatório sobre o estado global do solo, que está sendo degradado rapidamente através da poluição, destruição de florestas, mineração e métodos agrícolas insustentáveis que esgotam seus nutrientes.




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